Portugal emite 1.750 milhões a juros negativos, mas taxas sobem

O Tesouro colocou o montante máximo indicativo no leilão de Bilhetes a seis e 12 meses, tendo registado uma procura robusta. No entanto, os juros foram menos negativos que em leilões anteriores.

D.R.

O Tesouro emitiu esta quarta-feira 1.750 milhões de euros em dívida de curto prazo, o montante máximo pretendido. Apesar de ter conseguido juros negativos na colocação de Bilhetes do Tesouro (BT) a seis e 12 meses, as taxas subiram em comparação com leilões anteriores.

“Conseguimos colocar o montante que pretendíamos, embora a taxas ligeiramente menos negativas do que nas emissões anteriores. Mas esta ligeira subida de taxas (e do custo do endividamento) está em linha com a subida na curva da dívida soberana europeia, tanto na dívida curta como na dívida longa”, referiu Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP colocou 1.250 milhões de euros em BT com maturidade a 17 de maio de 2019, tendo conseguido uma negativa em 0,272%. O valor fica ligeiramente acima do último leilão comparável, em março, em que conseguiu uma taxa negativa de 0,394%.

Nas BT com maturidade a 16 de novembro de 2018, o Tesouro emitiu 500 milhões de euros, com uma taxa negativa em 0,351%. Esta compara com taxa negativa de 0,424% da última emissão comparável.

“Mesmo assim as taxas das emissões portuguesas não são tão negativas  quanto as dos nossos pares europeus, pelo que os investidores mantêm o interesse. Daí também os dados sobre a procura que não esteve mal”, acrescentou Filipe Silva.

Na dívida a 12 meses, a procura foi 1,65 vezes superior à oferta, enquanto a seis meses a procura suplantou a oferta 1,73 vezes. Ainda assim, em ambas as maturidades a procura foi menor que no leilão de março, em que o Tesouro tinha recebido ofertas 2,1 vezes superiores nas BT a 12 meses e 3 vezes superiores a seis meses.