Oficial: Portugal apresenta candidatura de Centeno à presidência do Eurogrupo

A eleição acontece na próxima segunda-feira, dia 4 de dezembro, e Centeno é favorito ao cargo.

Cristina Bernardo

Depois de meses de especulação, já é oficial. O ministro das Finanças português Mário Centeno é mesmo candidato a presidente do Eurogrupo, segundo confirmou o Jornal Económico, junto do ministério das Finanças. A carta que expressa o interesse de Centeno foi enviada esta quinta-feira e eleição acontece na próxima segunda-feira, dia 4 de dezembro. O português é favorito ao cargo.

“O Governo português apresentou esta manhã a candidatura do ministro das Finanças, Mário Centeno, à presidência do Eurogrupo”, informou o gabinete do primeiro-ministro António Costa. “A eleição terá lugar na próxima reunião do Eurogrupo, agendada para segunda-feira, dia 4 de dezembro”.

Até aqui, Centeno, que ainda não estava confirmado como candidato, era visto como uma possível concorrente, mas com poucas possibilidades de ser eleito. No entanto, e como já se tornou habitual na diplomacia europeia, a eleição do próximo presidente do Eurogrupo está a decidir-se em negociações de bastidores.

Uma reunião que teve lugar esta quarta-feira à noite entre Emmanuel Macron e Angela Merkel terá mudado as regras do jogo. “Chefes de Estado de Itália, Portugal, França e Alemanha encontraram-se na noite passada à margem da cimeira da UE na Costa do Marfim, onde falaram sobre os possíveis candidatos para o lugar de líder do grupo de ministros das Finanças da zona euro”, escreve o Financial Times.

“De acordo com fontes diplomáticas próximas do assunto, a candidatura de Centeno é preferida em detrimento do italiano Pier Carlo Padoan – o outro ministro de centro-esquerda na corrida”, acrescenta.

O ponto de partida para analisar as probabilidades de cada candidato vencer esta eleição é perceber o peso de cada família política nos organismos da UE.

Com Jean-Claude Juncker a presidir à Comissão Europeia, Antonio Tajani a liderar o Parlamento Europeu e Donald Tusk à frente do Conselho, a principal família política da direita europeia, o PPE tem a hegemonia nas cúpulas europeias, pelo que a regra de equilíbrio de poderes torna quase certo que o próximo presidente do Eurogrupo seja um nome do centro esquerda – a família política de Jeroen Dijsselbloem, o presidente cessante, era precisamente o Partido Socialista Europeu, apesar das polémicas que ele próprio criou dentro deste grupo, ao tornar-se um dos rostos mais visíveis das medidas de austeridade nos países sob intervenção externa, nos últimos anos.

Dentro da família socialista, dois nomes têm sido apontados como mais prováveis sucessores do holandês: o português Mário Centeno e o homólogo italiano, Pier Carlo Padoan. Em seu desfavor, o ministro português têm o pouco peso político na Europa. Está há apenas dois anos no cargo e antes nunca tinha ocupado funções de relevo. Além disso, Portugal é um pequeno país saído de um resgate, quando Itália é um dos principais motores do projeto europeu.

A seu favor tem o facto de Itália já ter nomes de peso em posições – o já referido Tajani e Mario Draghi à frente do BCE. Além da diversidade política, a coabitação de forças dentro da Europa impõe também uma diversisade de nacionalidades, pelo que Centeno poderia ser beneficiado por não haver.

Mas como tem de garantir apoios fora do espectro socialista – a maioria dos ministros das Finanças do Eurogrupo está politicamente à direita –, as negociações são mais complexas. Até ao momento, é certo que Portugal conseguiu já um apoio do PPE – o ministro espanhol De Guindos mostrou-se favorável a uma candidatura encabeçada pelo ministro português.

Mas as incógnitas são para que lado da balança vão pender os pesos pesados da Europa – França e Alemanha -, o que obriga a contactos diplomáticos de alto nível. No Governo, o próprio primeiro-ministro diretamente envolvido nestas negociações para a eleição do Eurogrupo.

[Notícia atualizada às 11h17 com o comunicado do gabinete do primeiro-ministro]

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