Portugal na lista negra britânica: Governo diz cumprir os cinco critérios e que decisão foi “sem fundamentação”

Lisboa criticou a decisão de Londres de não levantar as restrições nos voos com origem em Portugal. Governo garante que cumpre cinco critérios exigidos pelo executivo de Boris Johnson. Pela segunda vez, as autoridades britânicas “não foram capazes de explicar os fundamentos científicos e técnicos da decisão”, afirmou Santos Silva.

Cristina Bernardo

O Governo português criticou hoje o executivo de Boris Johnson por manter as restrições nos voos com origem em Portugal, com os viajantes a continuarem sujeitos a quarentena obrigatória quando aterram no Reino Unido.

“O que combinei com o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico foi cumprido. Tivemos as reuniões indispensáveis, e trocamos a informação indispensável”, começou por dizer hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento após o final do debate do Estado da Nação.

“A partir do momento em que as autoridades britânicas nos explicaram finalmente quais eram os cinco critérios que consideraram para as suas decisões, demonstramos que a situação epidemiológica portuguesa era muito positiva, designadamente: em relação à capacidade de testagem; quanto à taxa de letalidade; quanto ao índice de reprodução, o chamado R; quanto à capacidade de resposta do sistema de saúde; quanto ao numero de casos por 100 mil habitantes também demonstramos que esse numero de casos tem vindo a diminuir”, afirmou Augusto Santos Silva.

“Por isso, lamentamos que no fim a decisão tenha sido esta, sem fundamentação”, atirou o governante.

Lisboa diz que foi avisada ontem por Londres da manutenção das restrições, mas que, pela segunda vez, “não foram capazes de explicar os fundamentos científicos e técnicos da decisão”.

O ministro deixou uma mensagem para os portugueses que residem no Reino Unido: “Continuaremos a trabalhar incansavelmente para que eles possam vir passar férias a Portugal e fazer deslocações sem fazer quarentena”.

Para os 40 mil britânicos residentes Santos Silva disse que Portugal os “estima muito” e que tem “muito orgulho” que tenham escolhido o país para viver. “Tudo faremos que as suas deslocações entre Portugal e o Reino Unido se façam nas melhores condições possíveis”.

“Mais dia, menos dia, mais semana, menos semana, esperamos que a realidade se imponha, que os factos sejam conhecidos, que os dados sejam respeitados, e que a decisão seja revista”, concluiu,

 

 

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