Portugal obrigou Alemanha a admitir que estava errada, segundo a Foreign Policy

Há menos de dois anos, Schaüble avisava Portugal que recusar seguir as regras significaria uma queda da economia e um novo resgate. Mas desde então, a política de Centeno é elogiada, incluindo pelo ex-ministro das Finanças alemão.

Portugal emergiu no contexto europeu contra a Alemanha, escreveu esta semana a Foreign Policy (FP). Segundo a revista, a economia nacional está de volta nos carris através do abandono da austeridade, o que obrigou a Alemanha a admitir que estava errada.

“A chanceler alemã Angela Merkel não é habitualmente uma pessoa que admita estar errada, mas este outono, no que diz respeito à sua crença na austeridade na Europa, Merkel, e o então ministro das Finanças Wolfgang Schaüble, teve de o fazer”, defendeu o artigo de Paul Hockenos.

“Centeno constituiu uma mudança no caminho”, referiu sobre o ministro das Finanças português e recém-eleito presidente do Eurogrupo. A FP lembrou que Portugal recebeu 78 mil milhões de euros de resgate, mas o governo que Mário Centeno integra, apoiado pelos partidos da esquerda, “abalou as ordens de marcha dos credores do norte e da troika composta pelo Banco Central Europeu, pela Comissão Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional”.

Há menos de dois anos, Schaüble avisava Portugal que recusar seguir as regras significaria uma queda da economia e um novo resgate. Mas desde então, os “desvios cautelosos” de Lisboa foram dignos de aplausos até entre os defensores da disciplina orçamental, como o ex-ministro das Finanças alemão.

“Portugal provou que é possível um país em dificuldades desafiar a austeridade imposta pela Alemanha na UE e ainda assim ter sucesso. Isso não sugere que só porque Centeno é de um governo de esquerda, terá ambições políticas radicais em Bruxelas. Mas, como presidente do Eurogrupo, irá executar funções num órgão cujo significado cresceu imensamente ao longo da crise financeira e será primordial na orientação dos processos de reforma que ainda estão por vir”, acrescentou.

Relacionadas

Moscovici está em Lisboa para discutir prioridades do Eurogrupo

O comissário europeu Pierre Moscovici está em Lisboa até amanhã para preparar o forum de ministros das Finanças da zona euro no primeiro semestre de 2018.

Mário Centeno enquanto líder do Eurogrupo: “Serão dois anos bastante intensos”

Em entrevista exclusiva à CNBC, o ministro das Finanças disse que é hora de “colher os benefícios” dos esforços feitos pelos portugueses durante a crise económica.

El Mundo: Portugal passou da “humilhação” do resgate à “recuperação” da economia graças a Centeno

“De uma personagem questionada pelas autoridades financeiras, Centeno tornou-se querido tanto de Washington como de Bruxelas”, referiu o jornal espanhol, apontando o ministro das Finanças português como um dos favoritos para a presidência do Eurogrupo em 2018.

(Quase) De saída do Eurogrupo, Dijsselbloem elogia progressos de Portugal

O presidente do Eurogrupo afirmou hoje, no final de uma reunião de ministros das Finanças da zona euro, no Luxemburgo, que Portugal foi elogiado pelos progressos recentemente alcançados a nível de desempenho económico, no quadro da monitorização pós-programa.

Portugal é “prova” do sucesso da política de estabilização do euro, garante Schäuble

“Fomos bem-sucedidos na defesa de um euro estável nos oito anos de crise do euro”, garante o ainda ministro das Finanças alemão. E Portugal é a ilustração de um “final feliz”.
Recomendadas

Manuel Pinho volta à comissão de inquérito de Energia a 20 de dezembro

O antigo governante propôs as datas de 18, 19 e 20 de dezembro e a comissão parlamentar de inquérito às rendas excessivas da energia escolheu a última.

“Bolachas Ronaldo”. Café português no Reino Unido envolto em polémica

Relação das bolachas ao alegado caso de violação que envolve, nos Estados Unidos, o futebolista português Cristiano Ronaldo desencadeou uma série de comentários negativos.

António Costa sobre OE2019: “Reduz défice, dívida e aumenta investimento público”

Primeiro-ministro apresentou o OE2019 aos deputados socialistas e não poupou elogios ao documento: “este Orçamento melhora a vida dos portugueses”.
Comentários