Portuguesa é caso de sucesso nos negócios da China via ‘app’ Wechat

Para marcar uma consulta, reservar mesa num restaurante ou bilhetes para um espetáculo, os expatriados em Pequim sabem que podem contar com a portuguesa Vera Madeira, que beneficia como ninguém da difusão da ‘app’ chinesa Wechat.

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Para marcar uma consulta, reservar mesa num restaurante ou bilhetes para um espetáculo, os expatriados em Pequim sabem que podem contar com a portuguesa Vera Madeira, que beneficia como ninguém da difusão da ‘app’ chinesa Wechat.

“O Wechat revolucionou completamente o marketing na China”, afirma à agência Lusa a portuguesa, de 35 anos, referindo-se à ‘super’ aplicação chinesa que atingiu recentemente mil milhões de perfis de utilizadores.

Criado em 2011 pelo gigante chinês da Internet Tencent, o Wechat é hoje indispensável no dia-a-dia na China, unindo as funções de rede social, serviço de mensagens instantâneas e carteira digital.

Aquela ‘app’ é usada no país para fazer compras, através da leitura do código QR, chamar um táxi, apanhar o metro ou pagar luz e água, tornando o dinheiro vivo numa coisa do passado. Em Pequim, até os mendigos têm hoje consigo um código QR impresso para transferência direta de esmolas para as respetivas contas na carteira digital do Wechat.

Retalhistas fora do país estão também a despertar para a utilidade daquela aplicação – o centro para pequenas e médias empresas da União Europeia lançou recentemente um serviço para ajudar os empresários a fazerem negócios via Wechat.

Mas, em Pequim, existe uma portuguesa que há muito aprendeu a ganhar dinheiro com a ‘app’ mais popular da China.

Natural de Coimbra, Vera Madeira aterrou em Pequim em 2008 para estudar mandarim, e depressa começou a organizar e promover festas na emergente indústria noturna da capital chinesa. “Arranjava autocarros para levar os estudantes, distribuía folhetos à porta dos bares, cafés ou nas universidades”, lembra.

Em 2012, a portuguesa usou pela primeira vez o Wechat para vender bilhetes para um concerto do produtor e DJ francês David Guetta, realizado junto a uma das secções da Grande Muralha em Pequim.

“Publiquei o cartaz no Wechat com o meu contacto e pedi a alguns amigos que reproduzissem. Lembro-me que fui buscar 200 bilhetes e em duas horas já tinha vendido tudo”, conta. “Fui buscar mais e, no total, vendi 800 e tal bilhetes”.

Hoje, Vera cobra às empresas 150 yuan (quase 20 euros) por cada publicação no seu Wechat a promover os seus produtos ou serviços.

A portuguesa recebe ainda uma comissão por cada marcação feita através de si para uma extensa rede de serviços que inclui cabeleireiros, Spas, restaurantes ou estúdios de tatuagens, enquanto um cliente recomendado por ela usufrui entre 20% a 30% de desconto.

“Só promovo produtos ou serviços de que gosto”, diz. “Se não gostar, não promovo”.

No total, a portuguesa tem cerca de 8.000 contactos no Wechat, organizados por país, profissão e com notas descritivas dos gostos ou passatempos.

O horário em que é feito cada ‘post’ obedece também a uma estratégia.

“Se o alvo forem pessoas que estão a trabalhar ou têm mais dinheiro, o melhor é publicar entre as seis e as oito da manhã. O segundo melhor horário é entre as 11 e as 13, quando estão a almoçar, e depois entre as seis e as oito, quando a maior parte dos asiáticos jantam”, afirma.

Caso seja um produto ou serviço mais orientado para famílias, “funciona muito bem ao fim de semana, às oito da manhã”.

Vera ganha a vida pelo Wechat, mas durante a conversa com a agência Lusa nunca parou para consultar o telemóvel, uma atitude rara num país onde, seja em bares ou restaurantes, no escritório ou em casa, as pessoas estão constantemente agarradas aos ‘smartphones’.

Mas a portuguesa tem uma regra básica: “Quando estou com alguém mantenho o telemóvel na mesa com o ecrã virado para baixo, que é para não haver a tentação de estar sempre a olhar”.

“Se as pessoas tiram o seu tempo para estarem contigo, tens que apreciar o momento”, diz.

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