Presidente da câmara de Londres pede novo referendo sobre saída da UE

O presidente da câmara de Londres, o trabalhista Sadiq Khan, pediu hoje a realização de um segundo referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, criticando as negociações do Governo britânico sobre o ‘Brexit’.

Num artigo publicado no jornal The Observer, o ‘mayor’ de Londres considera que o Reino Unido enfrenta duas opções, a seis meses do ‘Brexit’: um “mau acordo” ou “nenhum acordo”. Na opinião do político trabalhista, o atual debate sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) está centrado nas ambições políticas do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson quando devia estar focado na importância de se encontrar um pacto com a UE.

Sadiq Khan reconheceu nunca ter imaginado pedir a convocatória de um segundo referendo, mas indica estar “cada vez mais alarmado pela caótica” situação das negociações com Bruxelas, rodeadas de “confusão e em ponto morto”.
Por isso, o presidente da câmara de Londres considera que é necessário “um voto da população sobre qualquer acordo sobre o ‘Brexit’ alcançado pelo Governo, ou uma votação, no caso de não haver acordo, juntamente com a opção de permanecer na UE”.

Na sexta-feira, o ministro britânico para o ‘Brexit’, Dominic Raab, destacou os progressos feitos para encontrar “soluções viáveis” para um acordo de saída do Reino Unido, apesar da divergência em alguns pontos. “Embora ainda persistam algumas diferenças substanciais que precisamos resolver, está claro que as nossas equipas estão a aproximar-se de soluções viáveis para as questões pendentes no Acordo de Retirada, e estão a ter discussões produtivas no espírito certo sobre o relacionamento futuro”, adiantou Raab, num comunicado.

Uma nova avaliação sobre as negociações será feita após a reunião informal de chefes de Estado ou de Governo da União Europeia, em Salzburgo, na quinta-feira.  A saída oficial do Reino Unido da União Europeia está marcada para 29 de março de 2019, mas continua incerta a forma da relação entre ambos depois dessa data.

Na semana passada,  a agência de notação financeira Moody’s alertou que o risco de um Brexit sem acordo entre Bruxelas e Reino Unido “subiu materialmente” nos últimos meses, explicando ainda que um desacordo com a União Europeia (EU) provocará danos na economia britânica.

Em caso de sair da União Europeia sem acordo prévio, Londres poderá enfrentar, a longo prazo, num período de recessão económica. O Reino Unido e a UE “provavelmente tomarão medidas rápidas para limitar a separação a curto prazo”, mas uma saída desordenada “claramente colocaria desafios mais significativos do que uma saída negociada” afirmou o principal autor do relatório da Moody’s Colin Ellis, ao “Financial Times” (FT).

Já em setembro de 2017 Sadiq Khan tinha pedido um referendo sobre a retirada do Reino Unido da União Europeia, recusando a proposta de Jeremy Corbyn para uma união dos partidos relativamente ao Brexit.
Khan admitiu ao Evening Standard que vai pressionar um novo voto nacional, “para ser incluído no manifesto para as próximas eleições”. Na altura, o mayor da capital inglesa tornou pública a sua proposta depois de Kezia Dugdale, ex-líder do Partido Trabalhista na Escócia, ter dito que as pessoas têm o direito a um segundo referendo.

Ao jornal britânico, Sadiq Khan deixou claro que acredita que nenhum acordo relativamente ao Brexit é bom o suficiente. “Até agora não fiquei convencido de que este governo tem um plano que vá funcionar para o nosso país”, acrescentou.

“O Brexit está fora de controlo e fora dos interesses das pessoas que trabalham”, disse Dugdale ao Daily Record, jornal escocês.

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