Presidente da CP vai hoje explicar ao país a situação da empresa

A audição decorre a partir das 15 horas e ocorre na sequência do requerimento apresentado pelo grupo parlamentar do PSD.

Carlos Gomes Nogueira, presidente da CP – Comboios de Portugal, vai hoje explicar à Assembleia da República e ao país, a situação difícil que a transportadora ferroviária nacional vive nos dias que correm.

A audição, que decorre após requerimento do grupo parlamentar do PSD, está marcada para as 15 horas de hoje e tem como objetivo que o presidente da CP esclareça as razões sobre a degradação do material circulante (comboios e carruagens, essencialmente) e do serviço prestado por esta empresa pública.

Nos últimos meses têm sido constantes as queixas dos clientes da CP sobre supressões e reduções de circulação de comboios, atrasos, avarias, falta de ar condicionado e de refeições a bordo, material circulante degradado e degradado.

O diagnóstico há muito está traçado por especialistas do sector e não só e deverá passar por aí grande parte da intervenção de Carlos Gomes Nogueira: debilitada situação financeira da empresa pública e décadas consecutivas de secundarização do transporte ferroviário nas prioridades de investimento público de diversos Governos levaram a equipamentos degradados, sem manutenção e sem hipótese de substituição, uma cenário agravado pela falta de compra de novo material circulante desde há mais de dez anos.

Um cenário de pré-catástrofe que dificilmente será recuperável se a sua reversão não for acautelada antes de entrar em vigor o regime de liberalização da operação ferroviária de passageiros em Portugal, a partir de 1 de janeiro, que poderá deixar a CP ainda mais de rastos perante uma concorrência tecnica e financeiramente superior com que até agora nunca teve de se preocupar.

O Governo já anunciou, há vários meses, “para breve”, o lançamento de um concurso público para a compra de novos comboios, mas o processo ainda não arrancou.

O pior é que mesmo que a data de abertura desse concurso seja assumida hoje no Parlamento pelo presidente da CP, a entrada em funcionamento desse novo material circulante só poderá ocorrer dentro de dois ou três anos, na melhora das hipóteses, lá para 2021 ou 2022.

Demasiado tempo para esperar quando a situação se agrava a cada dia que passa. Por isso, o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, que tem a tutela da transportadora ferroviária, e a administração da CP, acertaram com a congénere espanhola Renfe o aluguer de locomotivas para suprir as necessidades, supostamente num contrato que terá assinado ontem, dia 3 de setembro.

A situação tem colocado a administração da CP e o ministério de Pedro Marques debaixo de fogo, com a maioria dos partidos parlamentares, à exceção do PS, a exigir explicações e soluções rápidas.

Aliás, na segunda parte da audição de hoje da Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, serão apreciados e votados mais dois requerimentos referentes à situação difícil em que se encontra a CP: um apresentado outra vez pelo PSD para audição dos presidentes da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, sobre a situação na CP; e um outro, do PCP, para audição das comissões de trabalhadores do setor ferroviário (CP, EMEF, IP e Medway), para esclarecimento e informação sobre a situação da ferrovia nacional e os acontecimentos na linha do Alentejo na ligação entre Casa Branca e Beja.

Aliás, ainda hoje, nesta comissão, será fixado o tecto de redação final do projeto de resolução apresentado pelo PCP, que recomenda ao Governo que reponha todos os horários dos comboios entre Cuba e Beja.

No entanto, como deverá demonstrar hoje a audição presidente da CP, a situação deficitária na transportadora ferroviária nacional não se confina à linha do Alentejo, extravasando, em particular, para as linhas do Norte, do Oeste e de Cascais.

 

 

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