Presidente da República quer CPLP com posição comum sobre oceanos

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que os países da CPLP devem alinhar posições sobre os oceanos antes da conferência da ONU dedicada ao tema, que terá lugar em Lisboa no próximo ano.

Cristina Bernardo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu este sábado que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deve alinhar posições sobre os oceanos antes da conferência das Nações Unidas sobre o tema, que terá lugar pela primeira vez em Lisboa no próximo ano.

“É uma resposta política aquela a que nos venhamos a associar num tema que vai estar na ordem do da no próximo ano: os oceanos”, disse o Chefe de Estado, numa intervenção no “1º Fórum de economistas das Cidades de Língua Portuguesa”, em Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa recordou que Lisboa irá receber em 2020 a conferência da ONU sobre o oceanos e defendeu que a “CPLP tem que ter antes dessa conferencia uma posição comum sobre os oceanos”.

“A posição da comunidade é crucial no Atlântico, mas está noutros [oceanos]”, disse. “Como é que podemos não ter uma posição comum?”.

O Presidente da República considerou que a relação entre os países da CPLP atravessa uma fase positiva, no entanto, que é necessário continuar a apostar no reforço da cooperação nos diversos domínios.

Marcelo Rebelo de Sousa apoiou a posição expressa pelo vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças de Cabo Verde, Olavo Correia, sobre a necessidade de avançar no domínio da livre circulação de pessoas, bens e serviço no espaço da CPLP. “A circulação de pessoas é essencial. Este é um grande desafio da presidência Cabo Verde, mas de todos nós”, disse.

“Entendo que a sua ambição deve ser levada à máxima potência. Aqui se joga muito do futuro da comunidade”, referiu, acrescentando que “dada um dos cidadãos tem de se sentir irmão nessa circulação e partilha de todos os outros. Se sentir que é só meio-irmão de alguns, estamos a falhar. Ou que é só primo. Não chega”.

Defendeu ainda que a CPLP deve avaliar de que forma é que pode potenciar a ação dos países observadores associados, num interesse que assinala tem sido crescente.

“Isto é um grande desafio. A organização não foi pensada para isso. Ter um número de associados várias vezes superior ao número de membros e que não podem ficar numa posição meramente passiva”, disse. “Há que encontrar fórmulas de reunir aqueles que se querem aproximar de nós”.

 

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