Presidente de Cabo Verde defende diálogo para reforçar sistema democrático

Para Jorge Carlos Fonseca, o sistema democrático é um processo em “construção permanente” que exige constante aperfeiçoamento e adaptação, por isso as instituições não podem ser “estáticas”, mas sim têm que se adequar às transformações socioculturais.

O Presidente da República defendeu este fim de semana que é necessário um diálogo permanente entre as instituições e a sociedade civil para que haja uma maior confiança entre eles e uma maior coesão ao sistema democrático.

Jorge Carlos Fonseca fez esta consideração ao discursar na sessão solene da Assembleia Nacional comemorativa do 13 de Janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia, que este ano assinala 28 anos da sua proclamação.

Para o chefe de Estado cabo-verdiano, o sistema democrático é um processo em “construção permanente” que exige constante aperfeiçoamento e adaptação, por isso as instituições não podem ser “estáticas”, mas sim têm que se adequar às transformações socioculturais.

Neste sentido, defendeu que as relações das instituições com os cidadãos devem ser dinâmicas, e o diálogo tem de ser permanente e as pessoas devem sentir, na prática, que as instituições existem para dar corpo às suas necessidades e anseios.

“É nesta lógica que situo o grande esforço que o parlamento tem desenvolvido no sentido de se modernizar e de se aproximar cada vez mais dos cidadãos. É muito importante que essa dinâmica seja mantida e intensificada, pois ela é essencial para a consolidação da nossa democracia”, disse, acrescentando que este processo contribui para uma atuação “mais rica” do parlamento e o constante aperfeiçoamento do desempenho dos deputados da nação.

Jorge Carlos Fonseca advogou ainda que os cidadãos necessitam ver os seus problemas resolvidos, ou, pelo menos, precisam saber que existem medidas adotadas nessa direção, tendo sublinhado ainda que estes precisam saber o porquê da não satisfação das suas necessidades.

Segundo o presidente, este procedimento vai reforçar a relação de confiança entre os cidadãos e as instituições e confere mais coesão ao sistema democrático. Além desta necessidade de informar, afirmou ainda que a resolução dos problemas da comunidade passa por um “maior diálogo e uma maior interação social”. Defendeu ainda que é preciso envolver mais a sociedade civil no processo político, pois estes “contribuem para uma maior consistência, senão mesmo legitimação da decisão política”.

O Presidente da República fez ainda referência aos cidadãos que têm estado a reclamar da “centralização excessiva” do poder político, apelando a um desenvolvimento “equilibrado e justo” das diferentes parcelas do território nacional.

“Não são raras as queixas quanto ao bloqueio do sistema partidário indígena, ao diálogo de surdos que é a coexistência entre os partidos, ou à ocupação da administração pelos partidos dominantes em cada momento” sublinhou.

Na sua opinião, num Estado de direito democrático, a necessária concorrência entre os partidos políticos e outras instâncias ou organismos da sociedade civil não deverá traduzir-se numa qualquer ideia de extinção dos partidos ou, mesmo, no apagamento do essencial de sua função de representação política da comunidade e de participação no exercício do poder político.

“Estamos convencidos de que quanto maior for a capacidade de concorrência, de crítica e de fiscalização da sociedade civil e seus organismos, maiores condições haverá para um sistema de partidos capaz de propiciar espaços de liberdade, transparência de procedimentos e afirmação e realização da cidadania”, concluiu.

Para o chefe do Estado, a democratização e a sua consolidação proporcionaram transformações fundamentais no país, libertaram-se energias antes contidas, e ainda foi possível estruturar a sociedade em moldes diferentes.

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