Presidente do Banco de Itália alerta para o impacto do défice mais alto sobre a dívida

Qualquer aumento nos gastos do défice que não ajude a impulsionar o crescimento econmico estrutural poderá colocar a dívida da Itália “num rumo insustentável” referiu Ignazio Visco.

O presidente do Banco de Itália, Ignazio Visco deixou um aviso para o impacto que um défice mais alto sobre a dívida, poderá causar na economia italiana. “Um aumento improdutivo do défice acabaria por agravar as perspetivas para as finanças públicas, alimentando as dúvidas dos investidores e elevando o prémio de risco sobre a dívida do Estado”, referiu durante uma conferência, revela a agência “Reuters”.

Ignazio Visco falo sobre como a coligação do governo populista em Itália está a preparar o seu primeiro orçamento, que deve incluir cortes de impostos, maiores gastos sociais e uma redução na idade da reforma.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte, reuniu-se com os seus principais ministros para tentar resolver o impasse sobre o orçamento entre os partidos do governo e o ministro da economia que tem vindo a resistir ao seu plano de aumentar os gastos.

A coligação formada pelo Movimento 5 Estrelas, que é contra o establishment e pela Liga de direita, precisa de estabelecer metas de crescimento, défice e dívida para o orçamento do próximo ano até 27 de setembro.

Se a expansão orçamentaria for acompanhada por uma queda na confiança dos investidores, “o impacto sobre as taxas de juros pode ser particularmente acentuado”, referiu o presidente do Banco de Itália. O impacto negativo no crescimento económico poderá colocar a relação dívida-PIB num “rumo insustentável”.

A Itália tem a segunda maior dívida da União Europeia, depois de ter ajudado a Grécia, e tem que emitir cerca de 400 mil milhões de euros em títulos do governo por ano para financiá-lo. O governo italiano já veio dizer anteriormente que está comprometido em reduzir a dívida.

Ler mais
Recomendadas

OCDE quer maior facilidade nos processos de insolvência em Portugal

No relatório sobre a economia portuguesa, a OCDE explica que a rendibilidade da banca melhorou, mas continua baixa e que o crédito malparado tem vindo a diminuir, mas continua elevado. Facilitar a liquidação de empresas insolventes e reduzir as restrições à sua saída do mercado estão entre as recomendações.

Subida de taxas de juro do BCE terá impacto negativo para famílias e empresas, alerta OCDE

OCDE considera que normalização da política monetária por Frankfurt poderá ter um impacto negativo para as despesas das famílias e empresas portuguesas. Consolidação orçamental é para manter, diz, e aconselha limitar o acesso às reformas antecipadas.

OCDE recomenda que Portugal suba os impostos sobre o gasóleo

OCDE considera que existe margem para aumentar a fiscalidade ambiental e que “tarifários nacionais de algumas fontes de energia não refletem os custos ambientais associados à sua utilização”. Promoção de utilização de transportes públicos e novas soluções de transporte partilhados são também recomendadas.
Comentários