Presidente executivo do Novo Banco é ouvido hoje no Parlamento

O presidente executivo do Novo Banco é hoje ouvido na Assembleia de República, na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, no âmbito do requerimento apresentado pelo grupo parlamentar do PSD.

Cristina Bernardo

António Ramalho é hoje ouvido pelos deputados da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, depois de o presidente do Fundo de Resolução, Luís Augusto Máximo dos Santos, ter sido ouvido na quarta-feira.

O grupo parlamentar do PSD chamou várias personalidades para se pronunciarem sobre o Novo Banco, entre elas o ministro das Finanças Mário Centeno, que foi ouvido em 07 de março.

Questionado, na terça-feira, sobre se o Novo Banco estaria a ser alvo de uma politização, numa altura em que se aproximam as eleições legislativas de outubro, António Ramalho indicou que responderia na quinta-feira na Assembleia da República a todas as questões.

“Nós teremos oportunidade de responder na casa da democracia que é o parlamento, na quinta-feira, sobre todas as perguntas que nos queiram fazer. Estou disponível para estar todo o tempo a explicar todos os dados necessários a esse esclarecimento cabal de toda a gente, do cidadão em geral, e naturalmente no sítio correto que é o parlamento”, afirmou o presidente do Novo Banco.

António Ramalho falava à margem da inauguração da exposição “Ficção e fabricação. Fotografia de arquitetura após a Revolução Digital”, no MAAT – Museu Arte Arquitetura Tecnologia, em Lisboa.

“Se o Parlamento pretende ouvir, para além do senhor presidente da comissão de acompanhamento [da venda do Novo Banco à Lone Star], também o presidente do Conselho de administração e também o presidente do Fundo de Resolução, é sinal de que pretende um esclarecimento cabal. É essa a nossa função”, assegurou o banqueiro, acrescentando que “a nova banca é uma banca transparente, é uma banca que precisa de ser continuamente escrutinada. Faz parte das nossas funções e assim deve ser”.

Questionado sobre o pedido do Presidente da República e do PSD para que a auditoria ao Novo Banco seja feita não só relativamente ao período anterior à resolução do banco, mas também na atualidade, o presidente do Novo Banco insistiu que “todas as auditorias são bem-vindas” e que a instituição já tem duas auditoras, sendo um terceiro auditor “sempre positivo”.

“O Novo Banco em 2017 foi auditado pela Price [PricewaterhouseCoopers – PwC], este ano está a ser auditado pela Ernst & Young, que está a terminar a auditoria, e naturalmente teremos todo o gosto em ter um terceiro auditor que nos faça a análise de toda a nossa atividade, é sempre positivo”, frisou o presidente do Novo Banco.

A este propósito, António Ramalho recordou que “os créditos que fazem parte do mecanismo de capital contingente são todos eles anteriores à resolução”.

Questionado sobre se o Novo Banco já tem a aprovação para a injeção dos 1.149 milhões de euros, anunciada no início de março, António Ramalho respondeu que “essa injeção será apenas solicitada formalmente após a aprovação das contas na assembleia-geral”, que decorrerá no início do próximo mês.

Sobre se o preocupa o ritmo das injeções solicitadas pelo Novo Banco ao mecanismo contingente, uma vez que, considerando a injeção de 1.149 milhões de euros o total de injeções nos dois primeiros anos [2018 e 2019] atingirá cerca de metade dos 3,89 mil milhões de euros acordados para um prazo de oito anos, o presidente do banco respondeu que “também metade dos problemas já estão totalmente resolvidos”.

“Estaria preocupado se as injeções fossem demasiadamente lentas. Isso significaria que teríamos oito anos de dificuldades na recuperação do banco”, indicou.

Em 01 de março, o Novo Banco anunciou que vai pedir uma injeção de capital de 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução. No ano passado, para fazer face a perdas de 2017, este banco já tinha recebido uma injeção de capital de 792 milhões de euros do Fundo de Resolução.

O Novo Banco foi criado em 2014 para ficar com parte dos ativos do BES e é desde outubro de 2017 detido em 75% pelo fundo norte-americano Lone Star, sendo os restantes 25% propriedade do Fundo de Resolução gerido pelo Banco de Portugal.

A Lone Star não pagou qualquer preço, tendo acordado injetar 1.000 milhões de euros no Novo Banco, e negociou um mecanismo que prevê que, durante oito anos, o Fundo de Resolução injete até 3,89 mil milhões de euros no banco, por perdas que venha a registar num conjunto de ativos ‘tóxicos’ e alienações de operações não estratégicas, caso ponham em causa os rácios de capital da instituição.

O Novo Banco registou prejuízos de 1.412 milhões de euros em 2018.

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“O que aconteceu em Portugal, é que o Fundo de Resolução foi criado em 2012, e em 2014, tinha apenas 337 milhões de euros”, salientou Máximo dos Santos. O Fundo de Resolução já pagou 466 milhões de euros em juros e comissões ao Estado, com as medidas de resolução, explicou Máximo dos Santos.

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