Primeiro-ministro diz que recuperação “vai ser caminho longo” de dois ou três anos

António Costa admitiu que muitos consideram que houve um retrocesso a novembro de 2015, aquando do início da governação socialista, mas salientou a recusa da austeridade como resposta à crise provocada pela pandemia.

O primeiro-ministro advertiu que a recuperação económica e social de Portugal “vai ser um caminho longo”. “Não é algo que se faça em dois meses nem seguramente num ano. Há quem diga que serão dois ou três”, disse, na qualidade de secretário-geral do PS, numa reunião da comissão política nacional dos socialistas, ressalvando que é necessário “lançar o mais depressa possível as condições para possamos ter um programa de recuperação”.

António Costa admitiu que para muitos estará em causa “regressar ao principio, como se estivéssemos em novembro de 2015, e tivéssemos de voltar a empurrar a pedra montanha acima”, visto que em dois meses de pandemia de Covid-19 “perdemos muito do que tínhamos conseguido reconstruir nos últimos cinco anos”. Não só se perderam 100 mil empregos em dois meses, após um saldo positivo de 350 mil desde que sucedeu a Pedro Passos Coelho na presidência do Conselho de Ministros, como “sem medidas como o lay-off teríamos seguramente mais umas centenas de milhar de desempregados”.

No entanto, o líder socialista reforçou a convicção de que existem condições para responder à crise, tendo voltado a defender que ficou demonstrado que não é com austeridade e sim com defesa do emprego e dos rendimentos que isso será possível.

Pouco antes, António Costa deixara claro que o PS não está interessado num Bloco Central com o PSD, apostando numa “continuidade com as políticas que seguimos desde 2015”.

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Primeiro-ministro garantiu que o seu Governo vai manter uma continuidade das políticas seguidas desde 2015, afastando qualquer hipótese de entendimento com os sociais-democratas. “Quero deixar claro que não mudei de ideias desde que me candidatei a secretário-geral do PS, em 2014”, disse.
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