Professores só aceitam negociar recuperação dos nove anos, quatro meses e dois dias

Mário Nogueira sustentou que a luta dos professores teve o mérito de desbloquear um processo negocial que já estava encerrado, logo agora não vai parar porque “não faz sentido” e sublinhou que pela primeira vez em todo o processo, o Governo admitiu que os números que tem vindo a divulgar não são verdadeiros e que, por isso, em setembro voltará às negociações com números reais.

O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira (E), reage durante a greve e concentração de professores junto à Assembleia da República, em protesto pelo descongelamento “justo” das progressões, recuperação dos anos de congelamento e contagem integral do tempo de serviço prestado pelos docentes, convocada pela FENPROF, FNE e Frente Sindical de Docentes, em Lisboa, 15 de novembro de 2017. JOÃO RELVAS/LUSA
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 O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) disse hoje que o Governo tem de se convencer que os docentes apenas aceitam negociar a recuperação integral dos nove anos, quatro meses e dois dias de tempo de serviço congelado.

“O Governo tem de ultrapassar a ideia de que os nove anos, quatro meses e dois dias são para negociar porque não são, não só pelo compromisso, mas por razões de ordem legal”, afirmou Mário Nogueira, numa concentração de cerca de 100 professores, no Porto.

O sindicalista garantiu que os professores não vão cometer a ilegalidade de negociar o tempo de serviço.

Rodeado de professores que exibiam cartazes onde se lia “Exigimos respeito”, “Não ao Apagão” ou “Horários precários, Não”, Mário Nogueira garantiu que a luta dos professores tem muita força e que se parassem agora e não retomassem a luta em setembro, tudo voltaria atrás, algo que não vai acontecer.

“Não vai voltar tudo atrás porque não vamos deixar”, vincou.

O dirigente sindical reafirmou que os professores farão greve na primeira semana de outubro e o primeiro dia de aulas, a 17 de setembro, será sinalizado com luta, distribuição de documentação aos pais e realização de plenários.

“Temos de voltar em setembro com a força toda que temos usado até agora. Vamos começar no primeiro dia de aulas e tudo faremos para que não haja aulas ao abrigo da lei sindical, não com greve, não com mais esforço financeiro, [mas] com plenários e reuniões no país inteiro, com a distribuição de um texto à população”, salientou.

Uma luta que continuará, avisou o sindicalista, na semana do feriado de 5 de outubro, Dia Mundial do Professor, “com uma semana de greve de segunda a quinta, porque sexta-feira é feriado” ainda que o “modelo da greve ainda não esteja definido”.

“Temos um capital de luta muito forte, foi um mês de greve como há muito não se via, os professores revelaram uma grande unidade”, ressalvou.

Mário Nogueira sustentou que a luta dos professores teve o mérito de desbloquear um processo negocial que já estava encerrado, logo agora não vai parar porque “não faz sentido” e sublinhou que pela primeira vez em todo o processo, o Governo admitiu que os números que tem vindo a divulgar não são verdadeiros e que, por isso, em setembro voltará às negociações com números reais.

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