PS garante que “não vai à boleia da pandemia” no que toca ao teletrabalho

Maria Begonha defendeu que a regulamentação do teletrabalho passará pela concertação social, ouvindo os parceiros sociais e tendo em conta a vontade dos trabalhadores para não colocar em causa “décadas e décadas de lutas e conquistas”.

A deputada socialista Maria Begonha disse que o PS “não vai à boleia da pandemia para cumprir o seu programa eleitoral” no que diz respeito ao teletrabalho, numa intervenção no debate parlamentar sobre o tema que foi agendado para esta sexta-feira por iniciativa do PAN – Pessoas, Animais, Natureza, garantindo que a necessária regulamentação que evite atropelos ocorrerá sempre em sede de concertação social e ouvindo os trabalhadores, tanto do setor público, no qual se prevê a possibilidade de 25% da Administração Pública em funções compatíveis estar em teletrabalho até ao final da legislatura, quanto das empresas privadas.

“A vontade do trabalhador é para nós a chave no direito ao teletrabalho”, disse a parlamentar do PS, realçando que não podem ser colocadas em causa as “décadas e décadas de lutas e de conquistas laborais que nos antecederam”, através da desregulamentação e da perda de direitos.

Depois de ter ouvido da líder parlamentar do PAN, Inês Sousa Real, críticas à ausência do Governo, que não se fez representar na Assembleia da República, Maria Begonha admitiu que os atropelos aos direitos dos trabalhadores “não são problemas novos mas aceleraram nesta pandemia” e vincou a importância do direito a desligar naquilo que descreveu como uma 4.ª Revolução Industrial em que “nunca o direito inabalável à privacidade foi tão relevante”.

Admitindo que “o teletrabalho e o ensino à distância reproduzem desigualdades que já existem”, nomeadamente no que diz respeito às condições habitacionais e tecnológicas dos trabalhadores, Maria Begonha deixou claro que também pode contribuir para a emancipação dos jovens e, em particular, para aqueles que têm a “dupla penalização” de viverem no Interior de Portugal.

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