PS: Pedro Marques poupa palavras no metro de Lisboa mas reforça convicção na vitória

No nono dia de campanha do PS, Pedro Marques elegeu os passes sociais para apelar ao voto nas eleições europeias. Entre o desinteresse e a incerteza de quem passava, o ex-ministro promoveu a medida de reduzir o custo dos passes sociais e ouviu queixas. Mas não se alongou muito e optou por fazer a viagem quase sem falar com os passageiros.

Miguel A. Lopes/Lusa

A terça-feira de Pedro Marques começa com uma mudança de planos. Em vez da anunciada viagem de metro de Moscavide para o Cais do Sodré, a comitiva do PS decide inverter o trajeto e a ação de campanha começa no Cais do Sodré. Como destino mantém-se Moscavide, no concelho de Loures. Pedro Marques chega ao Cais do Sodré pouco depois das 8h00, forjando um sorriso de quem tem as sondagens a seu favor e está em terreno que lhe é tanto familiar como amigo.

O número um do PS chega acompanhado por Margarida Marques, que ocupa o quarto lugar na lista do partido às europeias, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, e o vice-presidente da bancada do PS Pedro Delgado Alves. Na mão traz um molho de flyers que se apressa a distribuir, dizendo “não se esqueça de ir votar no domingo; é muito importante”. Sorri e fica-se por poucas palavras. Vai entregando beijinhos e não encontra grande hostilidade.

A distribuição de folhetos prolonga-se por cerca de 20 minutos. Há quem se detenha para ouvir o candidato e aqueles que se apressam para apanhar transporte para mais um dia de trabalho. “Não se esqueça de ir votar”, vai repetindo. Junto à estação de autocarros, Pedro Marques detém-se para falar com um homem que questiona, num tom cético, para quando está programada a subida do preço dos passes sociais. “É uma medida que veio para ficar”, garante. E segue a campanha.

Pelo caminho, é confrontado por uma senhora que ao apelo “veja se não se esquece de votar no dia 26”, lhe responde: “Não se esqueça também dos professores, porque esqueceram-se deles quase dez anos”. A reação surpreende Pedro Marques, habituado à empatia dos lisboetas com os ideais socialistas, que se limita a não estender o assunto e voltar à distribuição de folhetos.

Sobre o descontentamento dos professores, Pedro Marques desabafa depois junto dos jornalistas: “Há muitos professores com quem temos contactado que também nos têm dito que compreendem o facto de termos ido até ao limite do que era possível em termos de responsabilidade orçamental. Isso foi algo que o Governo nunca abdicou”, salienta. E volta ao discurso político em que se sente confortável.

“O que me importa mais é que esta nossa mensagem de criar emprego, reduzir a pobreza e manter as contas em ordem, esta mensagem de clara responsabilidade orçamental, seja uma compreendida em todo o país e faça a diferença também na Europa”, sublinha.

Segue-se uma viagem de 30 minutos de metro até Moscavide. A comitiva percorre a linha verde até à Alameda. Durante o percurso, Pedro Marques viaja com os folhetos na mão, mas não distribui. Opta por conversar apenas com o “núcleo duro” com que chegou ao Cais do Sodré e dá a campanha como terminada. Na carruagem em que viaja são poucos os que manifestam interesse pelo aparato em torno do candidato. Troca de linha para a vermelha e ruma ao destino final deste início de dia de campanha. Mas a postura de Pedro Marques não se altera. Conversa, só com os que lhe são próximos.

A falta de empatia com o eleitorado é também notória à chegada a Moscavide. Pedro Marques concentra-se em distribuir os folhetos que trouxe para a ação de campanha desta manhã e vai repetindo “não se esqueça de ir votar no domingo”, “é muito importante”, “veja se não se esquece de votar no dia 26”. O discurso sai-lhe de forma automática e quase mecânica, seja para o eleitorado mais jovem ou mais velho. Ou mesmo para imigrantes. “Vai votar?”, insiste, sem parar para pensar que, mesmo que quisessem, não podem votar na sua lista. E lá vai mais um folheto.

O movimento padronizado repete-se por uns meros 10 minutos. Pedro Marques entra em ourivesarias, frutarias, talhos e imobiliárias. Em todos os estabelecimentos deixa o folheto com as principais linhas programáticas do PS. Apesar de a junta de freguesia de Moscavide e Portela ser socialista, o cabeça de lista do PS encontra resistências. “Olha só para essa cara. Parece a minha. Encanta”, diz uma senhora idosa, em tom de escárnio. Pedro Marques não se detém e continua em passo confiante, mas não deixa folheto.

“Tem o meu voto, mas é para fazer alguma coisa por nós”, diz outra senhora, após receber um folheto da mão de Pedro Marques. E eis que surge uma resposta do candidato: “Passei a minha vida cá a fazer pelos portugueses e agora quero ir para Bruxelas fazer lá”, afirma. E prossegue o caminho.

Destino: café do lado. A curta caminhada abriu o apetite do candidato. Servido com um café e metade de um bolo, aí fica até os ponteiros tocarem perto das 10h00. Entretanto é hora de abandonar Moscavide e ir conversar com estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O dia termina com um comício em Aveiro, onde Pedro Marques conta com a presença da secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes.

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