PSD acusa Governo de ter privilegiado “aparato coersivo injustificado” na greve dos motoristas

O vice-presidente social-democrata David Justino considera que o Executivo de António Costa dramatizou as consequências da greve e foi “irresponsável” pela forma como alimentou o problema.

O Partido Social Democrata (PSD) acusa o Governo de ter privilegiado o “exercício desproporcionado de autoridade” e “aparato coersivo injustificado” na greve dos motoristas. O vice-presidente social-democrata David Justino considera que o Executivo de António Costa dramatizou as consequências da greve e foi “irresponsável” pela forma como alimentou o problema.

“O Governo, em vez de recorrer a todos os instrumentos suscetíveis de reestabelecer o diálogo entre as partes, privilegiou o exercício desproporcionado de autoridade, a demonstração de força com um aparato coersivo injustificado e a tentativa de humilhação dos trabalhadores e dirigentes sindicais para que pudesse, mais tarde, reclamar vitória”, afirmou o vice-presidente David Justino.

David Justino diz que o Governo demonstrou “irresponsabilidade pela forma como alimentou a escalada de radicalização do conflito” e “excessos no exercício da autoridade do Estado”. O vice-presidente do PSD acrescenta ainda que esta posição do primeiro-ministro, António Costa, “não é alheia à atual conjuntura político-eleitoral”, tendo em conta que falta apenas um mês para as eleições legislativas.

“Enquanto fingia querer mediar o conflito, Governo dava todos os sinais de que estava disponível e disposto a entrar no conflito”, afirmou David Justino, dizendo que “o Governo que deveria ser a solução é agora parte do problema” e pode vir a agravar-se a atual situação de greve.

O PSD considera que o Governo deveria preocupar-se com as “reais condições do exercício da atividade profissional dos motoristas”, nomeadamente o excesso de horas a que estão sujeitos, falta de condições de segurança rodoviária e as alegadas irregularidades fiscais de algumas empresas transportadoras.

“O PSD aconselha ao Governo a apostar todos os seus recursos no reestabelecimento das negociações, mesmo que para tal seja necessário suspender a requisição civil e desde que as posições irredutíveis dos sindicatos e dos representantes do patronato possam ser superadas, nomeadamente pela suspensão da greve e pela negociação sem condições prévias”, conclui.

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