Puigdemont admite derrota: “Isto acabou. Os nossos sacrificaram-nos”

Programa da televisão espanhola teve acesso a mensagens enviadas pelo ex-líder do governo catalão a um antigo elemento da Generalitat. Puidgemont já confirmou veracidade das SMS, mas criticou a "Telecinco".

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O ex-presidente da região da Catalunha Carles Puigdemont reconheceu que o processo independentista “terminou” e que os seus o “sacrificaram” como candidato após o “triunfo” dos planos do governo central da Espanha.

A rede de televisão espanhola “Telecinco” divulgou várias mensagens do telemóvel de Puigdemont ao deputado e ex-conselheiro do seu gabinete, Toni Comín, captadas por uma das suas câmeras em Bruxelas.

“Voltamos a viver os últimos dias da Catalunha republicana”, diz Puigdemont. “O plano de Moncloa (governo espanhol) triunfa, só espero que seja verdade e que graças a isto possam sair todos da prisão porque, se não, o ridículo histórico é histórico”, escreve.

Puigdemont ainda confessa a Comín que “isto terminou” e que os seus companheiros o “sacrificaram”.

“Suponho que esteja claro que isto terminou. Os nossos sacrificaram-nos, pelo menos a mim. Vocês serão conselheiros (espero e desejo) mas eu já estou sacrificado”, concluiu.

Segundo a estação de TV, Puigdemont enviou estas mensagens a Comín na terça feira, pouco depois de saber do adiamento do debate de posse no parlamento regional.

O ex-presidente, que era candidato à reeleição, pretendia ser empossado à distância, opção que tinha sido refutada pelo Tribunal Constitucional, e o presidente do parlamento, Roger Torrent, anunciou o adiamento do debate até à resolução dos diferentes recursos judiciais a essa medida.

Puigdemont já confirmou a veracidade das mensagens e criticou a postura da Telecinco: “Há limites, como a privacidade, que nunca deve ser violada”. “Sou humano e há momentos em que também tenho dúvidas”, justifica, garantindo que não recuará nem desistirá, por respeito, gratidão e compromisso com os cidadãos e o país. “Continuamos”, conclui.