Quase certo: a Fed deve subir os juros agora. A dúvida: serão três ou quatro aumentos em 2018?

A Reserva Federal inicia esta terça-feira uma reunião de dois dias e a decisão principal é consensual entre os analistas - um segundo aumento das taxas de juro este ano. A grande questão em relação ao banco central é se, no total, irá fazer três ou quatro subidas em 2018.

Nem a guerra comercial iniciada por Donald Trump, nem as divergências dos Estados Unidos com os outros seis membros do G7, nem a incerteza política em Itália deverão alterar o percurso de normalização da política monetária adotado pela Reserva Federal. Com a robusta saúde da maior economia do mundo como pano de fundo, o banco central liderado por Jerome Powell deverá anunciar um novo aumento da federal funds rate target após a reunião de dois dias que inicia esta terça-feira.

“A próxima reunião do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) não deverá trazer muitas surpresas, já que a Reserva Federal dos EUA telegrafou claramente o seu próximo passo. Esperamos assistir a um aumento nos juros de 0,25 pontos em junho, o que levará a taxa de fundos federais para os 1,75%-2%”, referiu Franck Dixmier, global head of fixed income da gestora de ativos AllianzGI.

Segundo as atas da última reunião do FOMC, que teve lugar a 1 e 2 de maio, a maioria dos membros do comité espera que uma nova ação de normalização seja necessária proximamente.

Dixmier sublinhou que os mais recentes indicadores económicos confirmaram uma tendência crescente da inflação nos EUA, que deverão ajudá-la a estabilizar solidamente acima da meta de estabilidade de preços da Fed de 2%. “No entanto, é improvável que os mercados fiquem preocupados com isso, já que há outra área em que as intenções da Fed têm sido claras: a orientação futura do último encontro do FOMC declarou explicitamente que a Fed estava a adotar uma meta de inflação simétrica de cerca de 2%”, acrescentou.

Em abril, pelo segundo mês consecutivo, a inflação nos EUA fixou-se nos 2%, ou seja, igual à meta da Reserva Federal.

“Vai ser mais uma semana importante, com a Fed pronta a aumentar as taxas de juro novamente”, afirmaram os economistas do ING. “A história do crescimento é bastante forte com a atividade [económica] a recuperar de forma acelerada no segundo trimestre deste ano, enquanto o mercado laboral também aumentou o ritmo de criação de emprego, com uma média de 207 mil novos postos de trabalho por mês este ano face à média de 182 mil em 2017”.

A concretizar-se, será o segundo aumento em 2018, pois em março a Fed já aumentara as taxas de juro em um quarto de ponto percentual. A grande questão é quantas mais subidas o banco central planeia fazer no resto do ano. De acordo com o dot plot – resumo das previsões para os juros de cada membro do Comité – a Fed deverá implementar três subidas este ano. No entanto, os mercados começam a antecipar que a aceleração da inflação leve a Fed a subir um total de quatro vezes a federal funds rate em 2018.

“Nesta altura, a inflação está a subir e há crescentes sinais de pressão em alta nos salários. Neste ambiente, a Fed irá continuar a sublinhar a abordagem gradual ao ‘apertar’ da política monetária com mais dois aumentos esperados na segunda metade do ano”, prevê o ING.

Foco nas novas projeções

Franck Dixmier, da AllianzGI, também acredita que iremos, após o aumento de junho, assistir a mais duas subidas na federal funds rate, “com mais duas no horizonte em 2019”.

“Alguns investidores têm mostrado uma tendência para reduzir as suas expectativas no que respeita ao aumento dos juros com base em questões externas, incluindo tensões nos mercados emergentes e riscos políticos re-emergentes como o visto recentemente em Itália. No entanto, nesta fase acreditamos que seria prematuro para a Fed ter em conta esses fatores”, frisou.

Com a subida das taxas de juro dada como resultado garantido desta reunião do FOMC, o foco deverá estar nas novas projeções que o banco central vai anunciar sobre o crescimento económico, a inflação e o desemprego. Em março a Fed reviu em alta as projeções económicas para uma expansão económica de 2,7% este ano, de 2,4% em 2019 e de 2% em 2020. A estimativas para a inflação ficaram praticamente inalteradas: 1,9% este ano, 2% no próximo e 2,1% em 2020.