“Quase perfeito”, o legado que Janet Yellen deixa na Fed

A primeira mulher a liderar a Reserva Federal norte-americana abandona esta quarta-feira o cargo. Apesar de ter sido uma das presidentes mais qualificadas da história, foi também a primeira em 39 anos a não ser renomeada para um segundo mandato.

Carlos Barria/Reuters

Janet Yellen, economista e a primeira mulher a liderar a Reserva Federal norte-americana abandona esta quarta-feira não só o cargo, mas também o banco central, onde será substituída pelo advogado Jerome Powell. Deixa um legado “quase perfeito”, segundo os economistas, mas também foi a presidente da Fed com menor número de sempre de votos a favor no Senado e a única em quase 40 anos que não foi renomeada para um segundo mandato.

Em janeiro de 2014, quando o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nomeou Yellen para o cargo, apenas 56 dos 82 senadores norte-americanos concordaram com a substituta de Ben Bernanke, apesar de trazer no currículo cargos como vice-presidente da Fed, presidente e CEO da Fed de São Francisco, e professora da Universidade da Califórnia em Berkeley desde 1980.

Em quatro anos, Yellen conseguiu a maior diminuição do desemprego que qualquer outro presidente da Fed (de 7,4% em 2013 para 4,4% em 2017), num contexto de retoma da economia (o PIB cresceu 1,9% em 2013 e 2,3% em 2017).

Nos mercados financeiros, os anos do mandato Yellen foram tempos de valorizações para Wall Street, com o Dow Jones a valorizar 25% no ano passado, o S&P 500 20% e o Nasdaq 30%.

Apesar de não ter lidado com o pico do taper tantrum de 2013, chegou à presidência da Fed logo a seguir e teve de encaminhar a economia norte-americana no processo de abandono dos estímulos monetários. Depois de cinco anos de quantitative easing, Ben Bernanke anunciou a redução da compra de ativos e as yields das obrigações norte-americanas dispararam de 1,94% em maio para 3,04% em dezembro.

No mês seguinte, Yellen chegava à Fed e a compra de ativos foi cortada, um processo que a economista conduziu, passando por subidas dos federal funds rates – em 2015, pela primeira vez em sete anos, mais uma vez em 2016 e três vezes em 2017 – mas também pela diminuição da folha de balanços da Fed, iniciada em setembro do ano passado.

O percurso não foi fácil, mas os juros das Treasuries não voltaram a disparar (apesar de ainda terem assustado em maio de 2015 quando os federal funds rates deixaram de estar em mínimos históricos).

Nem tudo foi positivo e a dificuldade em que os salários e a inflação subam são as principais falhas a apontar, tal como a própria admitiu na última reunião de política monetária, quando questionada sobre o que ficava por fazer. Apesar disso, a avaliação feita pelos economistas consultados pelo Wall Street Journal é quase perfeita, com 60% a darem-lhe a nota máxima (A), 30% B, 8% C e apenas 2% D.