Queda do desemprego vai impulsionar salários na zona euro, mas de forma gradual, diz o BdP

O banco central liderado por Carlos Costa explica no Boletim Económico de outubro que a diminuição da taxa de desemprego e as negociações salariais estão já a contribuir para o aumento dos salários.

Nacho Doce/Reuters

Os salários na zona euro deverão continuar a acelerar, mantendo a trajectória de crescimento gradual registada desde 2016, segundo o Boletim Económico de outubro do Banco de Portugal (BdP), divulgado esta quinta-feira.

A análise ao contexto internacional do regulador salienta que a diminuição da taxa de desemprego “deverá continuar a contribuir positivamente para a aceleração gradual dos salários”, tal como previsto nas projeções de setembro de 2018 elaboradas pelos especialistas do Eurosistema, e impulsionada pelas negociações salariais.

“Enquanto até ao final de 2017 a aceleração das remunerações por empregado se deveu sobretudo ao desvio salarial, em 2018 esta tem refletido sobretudo taxas de crescimento mais elevadas dos salários negociados, os quais parecem ter começado a reagir à melhoria das condições no mercado de trabalho, embora com um desfasamento superior ao observado no passado”, explica o BdP.

O regulador salienta ainda assim que, em média, as expectativas dos analistas para a taxa de crescimento anual em 2020, de 2,2%, se encontram abaixo da projeção dos especialistas do Eurosistema (2,7%).

Este cenário altera assim a tendência registada até meados de 2016 na qual a diminuição da taxa de desemprego na zona euro não foi acompanhada por uma aceleração salarial desde o início da recuperação económica . A partir desde período aumentou de “forma gradual”. A análise ao contexto internacional do regulador indica que o crescimento salarial “historicamente baixo” resultou principalmente do “contributo negativo e persistente” da taxa de desemprego.

“A partir de 2014 e até meados de 2017, verificou-se uma redução gradual deste contributo, num contexto de diminuição da taxa de desemprego. No entanto, esta redução da taxa de desemprego foi compensada por um contributo negativo da inflação, num ambiente de inflação baixa em termos históricos na área do euro”, explica o BdP.

O BdP sublinha que “a existência de resíduos negativos significativos e persistentes” até ao primeiro trimestre de 2018 “sugere que outros determinantes, para além dos considerados no modelo, exerceram uma pressão negativa sobre os salários”, tais como o impacto das reformas estruturais do mercado de trabalho implementadas em vários países, as alterações na composição do emprego e os avanços no processo de automação.

Alerta, no entanto, que “o papel destes fatores não é consensual e a evidência empírica existente não permite discernir os seus contributos relativos”.

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