Queda do PIB de 3,9% em cadeia é a maior desde 1977, refere Católica

A contração das exportações de 7,3% em cadeia representa “um registo próximo do observado aquando o colapso do comércio internacional na transição de 2008 para 2009”.

A queda de 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em cadeia no primeiro trimestre, divulgada esta sexta-fiera pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), é a maior desde 1977, de acordo com uma nota rápida enviada pela Universidade Católica à Lusa.

“No 1.º trimestre de 2020, o PIB contraiu 3,9% em cadeia. Trata-se da maior queda histórica desde 1977. É um resultado sem precedentes, apesar do confinamento só ter influenciado negativamente a atividade económica durante parte do mês de março”, assinala o NECEP, núcleo de previsões económicas da Universidade Católica.

De acordo com o núcleo, a contração das exportações de 7,3% em cadeia representa “um registo próximo do observado aquando o colapso do comércio internacional na transição de 2008 para 2009”.

“Mas, desta vez, a desaceleração em cadeia de 11,4 pontos percentuais, relembrando que as exportações tinham crescido 4,1% no 4.º trimestre de 2019, é totalmente extraordinária e muito superior ao observado no final de 2008”, notam os economistas da Universidade Católica.

Observando que “a procura interna recuou apenas 1,9%”, o NECEP conclui que “o choque inicial da pandemia da covid-19 foi assimétrico na sua propagação aos vários agregados, penalizando mais as exportações do que o consumo privado ou mesmo o investimento”.

“Aliás, as importações recuaram bem menos (2,9%) do que as exportações. Em todo o caso, o destaque do INE refere que, quer o consumo privado, quer o investimento, recuaram no 1.º trimestre”, assinala o NECEP.

O núcleo indica ainda que “tudo indica que as contrações de atividade económica serão ainda mais fortes no 2.º trimestre na generalidade das economias e, em particular, em Portugal e na zona euro como um todo”.

O Produto Interno Bruto (PIB) português caiu 2,4% no primeiro trimestre do ano face ao mesmo período de 2019, devido aos efeitos económicos da pandemia de covid-19, divulgou hoje o INE.

“O PIB, em termos homólogos, diminuiu 2,4% em volume no 1.º trimestre de 2020, após o aumento de 2,2% no trimestre anterior. A contração da atividade económica reflete o impacto da pandemia covid-19 que já se fez sentir significativamente no último mês do trimestre”, pode ler-se numa estimativa rápida hoje divulgada pelo INE.

Já relativamente ao último trimestre de 2019, a recessão foi de 3,9%, depois de um aumento de 0,7% em cadeia face ao terceiro trimestre de 2019.

O “Grande Confinamento” levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.

Já a Comissão Europeia estima que a economia da zona euro conheça este ano uma contração recorde de 7,7% do PIB, como resultado da pandemia da covid-19, recuperando apenas parcialmente em 2021, com um crescimento de 6,3%.

Para Portugal, Bruxelas estima uma contração da economia de 6,8%, menos grave do que a média europeia, mas projeta uma retoma em 2021 de 5,8% do PIB, abaixo da média da UE (6,1%) e da zona euro (6,3%).

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