Quercus diz que hotel de Mário Ferreira no Douro ameaça património mundial da Unesco

Para a Quercus, o local onde o empresário pretende construir o Douro Marina Hotel “é completamente desadequado”, “terá grande impacto na paisagem” e “poderá por em causa a integridade do Alto Douro Vinhateiro”, que levou à sua classificação pela UNESCO.

A construção do Douro Marina Hotel, em Mesão Frio, está a ameaçar o património Mundial da UNESCO na categoria de paisagem cultural e evolutiva. Segundo a Quercus, o empresário Mário Ferreira pretende avançar com a construção do edifício “praticamente em cima da margem direita do Rio Douro”, um projeto que ocupará uma área total de 23.100 metros quadrados, dos quais 8.497, serão ocupados pelo hotel que terá seis pisos.

Em comunicado, a associação ambientalista relembra as conclusões do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) sobre a execução do Douro Marina Hotel onde é feito um alerta para os “impactes visuais significativos”, mesmo com a aplicação das medidas de atenuação propostas, relacionados com a alteração do valor da paisagem e com a projeção visual do projeto na envolvente.

A Quercus argumenta que a área de implantação do projeto, além de Património Mundial da UNESCO, “é zona inundável, leito e margem de curso de água, zona de proteção à albufeira, domínio público ferroviário, Reserva Ecológica Nacional e Reserva Agrícola Nacional”, com “servidões administrativas e restrições de utilidade pública, que por si só limitam a construção deste hotel”.

Do ponto de vista da associação ambientalista, o local onde se pretende construir o Douro Marina Hotel “é completamente desadequado, terá grande impacto na paisagem e poderá por em causa a integridade do Alto Douro Vinhateiro, que levou à sua classificação pela UNESCO”.

Além desta classificação, poderá estar em causa o selo atribuído pela UNESCO à reserva da biosfera transfronteiriça da meseta ibérica, a maior da Europa que engloba quatro parques naturais (Lago de Sanabria e arredores, Montesinho, Douro Internacional e Arribes del Duero), o parque natural regional do vale do tua e diversos espaços rede natura 2000.

Em Calabor, Espanha, a cinco quilómetros da fronteira com Portugal, está prevista a abertura de uma mina a céu aberto, para exploração do jazigo de estanho e volfrâmio de valtreixal. “Este tipo de minas contam com um grande historial relacionado com a contaminação do meio ambiente, alteração e perda do estético da paisagem, desflorestação, perdas de biodiversidade e perdas da qualidade de vida das populações”, explica a Quercus. a

No caso da mina que se pretende abrir em Calabor, que é previsto vir a afetar uma zona de 250 hectares, os impactos referidos anteriormente serão em grande escala, o que poderá pôr em causa o selo atribuído pela UNESCO a esta região transfronteiriça, com consequentes perdas socioeconómicas, principalmente no setor do turismo.

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