“Radicalização ganhou raízes porque o Estado se demitiu”, acusa Macron

O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou hoje que os governos franceses fomentaram o extremismo ao abandonarem os bairros mais pobres e prometeu novas medidas, duras “e por vezes autoritárias”, para combater a radicalização.

Fabrizio Bensch/REUTERS
Ler mais

Macron anunciou hoje um plano de vários milhões de euros e pediu uma “mobilização nacional” em favor dos subúrbios, onde as oportunidades de trabalho são raras e a criminalidade é elevada, especialmente entre os descendentes de imigrantes das antigas colónias francesas.

Mais de cinco milhões de pessoas vivem em bairros desfavorecidos em França, onde o desemprego atinge os 25%, bem acima da média nacional de 10%, e, entre os jovens com menos de 30 anos, mais de 30%.

Entre as medidas anunciadas figuram empréstimos para os jovens que queiram abrir pequenas empresas, a duplicação dos fundos para habitação social, a expansão da rede de estabelecimentos pré-escolares, a melhoria dos transportes públicos nos bairros isolados, subsídios para as empresas que contratem jovens desfavorecidos e reforço dos agentes de polícia.

“A radicalização ganhou raízes porque o Estado se demitiu” das suas responsabilidades nos bairros desfavorecidos, abrindo caminho a pregadores extremistas, disse Macron.

Segundo o Presidente, esses extremistas recrutam os jovens dizendo-lhes: “Vou tomar conta dos teus filhos, vou tomar conta dos teus pais, vou propor o que o Estado não te oferece”.

Muitos dos autores de ataques terroristas perpetrados em França nos últimos anos cresceram em subúrbios desfavorecidos das grandes cidades francesas.

Segundo o diretor dos serviços de informações internas DGSI, Laurent Nunez, a lista de suspeitos de radicalização inclui quase 18.000 nomes.

Macron disse que o governo vai apresentar umas 15 medidas para combater a radicalização e ordenar o encerramento de “estruturas inaceitáveis” que promovem o extremismo e “tentam fraturar” a sociedade francesa.

Considerado por alguns críticos como o “presidente dos ricos”, pela visão económica liberal, Macron quis contrariar essa ideia e insistiu que a sua estratégia só funcionará se as empresas contratarem minorias e pobres, prometendo medidas para denunciar publicamente as empresas que sejam discriminatórias nos contratos.

Outras medidas incluem, por exemplo, o alargamento do horário das bibliotecas nos bairros mais desfavorecidos e perigosos, para que os jovens tenham onde estar depois de escurecer.

Recomendadas

Não acordo no Brexit terá um impacto “relativamente pequeno” no mercado de trabalho alemão

Cerca de 41.000 britânicos estavam empregados na Alemanha em dezembro de 2017, um número que é “insignificante para o mercado de trabalho em geral”, revelou o governo de Angela Merkel ao “Der Spiegel”, em resposta ao partido de extrema-esquerda.

Ata do IPDJ contraria afirmações do secretário de Estado do Desporto

Ata de reunião de 5 de maio de 2017 do conselho diretivo do IPDJ confirma acusação que recai sobre Vítor Pataco: Baganha teve de avocar o processo que o seu vice reteve por nove meses.

Decisão sobre Infarmed é coerente e teve em conta vontade dos trabalhadores, diz ministro

O ministro da Saúde considera que a decisão de suspender para já a deslocalização do Infarmed para o Porto “é coerente” com o que Governo tem afirmado e foi tomada tendo em conta a vontade dos trabalhadores da instituição.
Comentários