Regime de Maduro: Reconhecimento de Guaidó por Portugal “coloca em perigo os portugueses” na Venezuela

Existem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes a viverem na Venezuela. Juan Guaidó garante que vai “fazer os possíveis” para salvaguardar comunidade portuguesa na Venezuela

O Governo de Nicolás Maduro veio a público alertar que o Governo de Portugal “coloca em perigo” os portugueses que vivem na Venezuela, pelo reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino do país.

“Governos como o de Espanha, governos como o de Portugal, que apelam abertamente a uma intervenção militar na Venezuela – que são capazes de reconhecer um individuo, segundo eles como presidente, que apelam ao seu reconhecimento -, e que pensam que podem fazer um ultimato à Venezuela, estão a colocar em perigo a vida dos nacionais portugueses e espanhóis”, disse Diosdado Cabello, o número dois do regime de Nicolás Maduro.

Na Venezuela residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.

“Porque não há uma bomba que só mata chavistas, tão pouco há uma bomba que só mata venezuelanos. O que aconteceria se esses nacionais espanhóis, portugueses, alemães, decidissem ir embora da Venezuela e regressar aos seus países? Quais seriam as consequências para a economia deles? Abrir-se-ia um buraco, com certeza. Mas eles preferem apelar a uma invasão militar e por em perigo a vida dos seus cidadãos aqui na Venezuela”, afirmou o vice-presidente do partido de Nicolás Maduro, o PSUV.

Para Diosdado Cabello, Portugal e outros governos estão a promover uma intervenção militar na Venezuela. Mas Portugal, juntamente com outras duas dezenas de países europeus, limitou-se a reconhecer Juan Guaidó como presidente temporário da Venezuela, somente na condição que sejam convocadas eleições presidenciais na Venezuela.

“Portugal reconhecerá e apoiará a legitimidade do presidente da Assembleia nacional, Juan Guaido, como presidente interino nos termos constitucionais, com o encargo de convocar e preparar eleições presidenciais livres, inclusivas e justas”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, a 4 de fevereiro.

Em entrevista à RTP, divulgada este sábado, Juan Guaidó disse que só uma mudança de regime pode garantir a segurança da comunidade portuguesa de cerca de 300 mil na Venezuela.

“Estamos a fazer todos os possíveis, não só para salvaguardar a comunidade portuguesa na Venezuela, que é para nós importantíssima e trouxe um grande desenvolvimento ao nosso país, à nossa indústria, ao nosso comércio, mas também a italiana, também a espanhola e também os venezuelanos que hoje estão a ser perseguidos: os nossos aborígenes, indígenas, no sul, que estão a ser torturados para serem integrados em grupos irregulares”, salientou

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