PremiumReino Unido: Um enigma chamado Boris Johnson

O primeiro-ministro britânico é, pelo menos enquanto tal, uma incógnita para o resto da Europa: uma coisa é o seu passado de eurocético de pantomina, outra bem diferente é o carrear da esperança do Reino Unido. Numa altura em que a Europa acaba de dar uma triste imagem de si própria, o primeiro embate entre as duas partes será, no mínimo, a não perder.

Sem surpresa, mas por causa de uma lei surpreendente, 92.153 conservadores britânicos (0,2% dos cerca de 48 milhões de eleitores) elegeram Boris Johnson – nascido em junho de 1964 no exclusivo bairro do Upper East Side de Manhattan, em Nova Iorque, lugar bem mais distinto do que Queens, ali por perto, onde uns 20 anos antes nascera Donald Trump – como o próximo primeiro-ministro do Reino Unido.

Claramente, esta não é a hora de os britânicos – e os europeus, ou quem quer que seja – se questionarem sobre a democraticidade da lei que o levou ao número 10 de Downing Street, nem sobre o grau de representatibilidade de quem chega aonde acaba de chegar por via de uma regra de duvidosa bondade. Desde logo porque os britânicos não fazem parte (desde há muitos séculos) de nenhuma lista de países onde a democracia levanta dúvidas e porque não abundam evidências, bem pelo contrário, de que os alicerces do regime democrático possam estar corroídos por um conjunto de efeitos colaterais identificados ou por identificar.

Artigo reservado a assinantes do Jornal Económico. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor.

Artigo publicado na edição nº1999 de 26 de julho de 2019, do Jornal Económico.

Recomendadas

PremiumLula da Silva. “A faúlha que pode incendiar a pradaria”

O Brasil está a passar por um momento de enorme tensão desde a libertação do ex-presidente. As hostes de Jair Bolsonaro olham para Lula da Silva e para a capacidade que tem de agregar vontades com uma enorme preocupação e a pergunta “onde estão os militares?” volta a fazer sentido. Entretanto, Bolsonaro está prestes a ter um novo partido, mas nada disso tem sido suficiente para estancar a derrocada da sua popularidade entre os brasileiros.

PremiumQuando Lisboa era um “antro de espiões”

Os Aliados operaram em território português, na Segunda Guerra Mundial, para manterem Portugal (e Espanha) distantes dos nazis. Um esforço, relatado por Mark Simmons em “Operação Ibéria”, que incluiu Salazar, Franco e o banqueiro Ricardo Espírito Santo.

PremiumNigel Farage – Quando o Brexit vale bem estender uma passadeira vermelha a Boris

O político que mais tem lutado para o Reino Unido sair da União Europeia anunciou que nenhum candidato do seu partido irá apresentar-se nos círculos detidos pelos conservadores. Em troca da ajuda a Boris Johnson espera que o “favor” seja retribuído para ganhar lugares aos trabalhistas nas eleições gerais de 12 de dezembro.
Comentários