Respostas Rápidas: Mesmo campeão no futebol, SAD do FC Porto apresentou prejuízos. Porquê?

A SAD dos ‘dragões’ voltou a ter prejuízos, pela segunda temporada consecutiva. Mesmo com o clube a ser campeão nacional, o resultado líquido foi negativo em 28,4 milhões de euros na época 2017/2018. Os responsáveis garantem que a situação financeira está equilibrada e que o acordo com a UEFA está seguro.

  • Que leitura se faz das contas apresentadas esta quinta-feira pela SAD portista?

Esta quinta-feira, a SAD do Futebol Clube do Porto apresentou os resultados consolidados da temporada 2017/2018 ao mercado. No documento enviado à CMVM, os ‘dragões’ registaram prejuízos de 28,4 milhões de euros, o que aumenta para 63 milhões de euros as perdas da SAD do clube da Invicta, no acumulado das duas últimas épocas.

Mais, o EBITDA da SAD portista cresceu 22%, superando os 22,751 milhões de euros do exercício anterior, para 27,921 milhões.

Olhando para os números apresentados, constata-se que as provas da UEFA continuam a ser principal fonte de rendimentos para o FC Porto – atingiram os 30,9 milhões de euros. Outra fonte de receita essencial são os direitos de transmissão televisiva e publicidade que renderam, em 2017/2018, 23,9 milhões de euros cada rubrica – um valor que decresceu 5,6% face ao período homólogo.

Já os custos com pessoal representam 60% das despesas da SAD, com os gastos com salários a totalizarem os 78,8 milhões de euros. “Na sequência do pagamento de prémios atribuídos ao plantel e equipa técnica pela conquista do campeonato“, esse valor representa um aumento de 7,6% face à temporada anterior.

  • Mesmo tendo sido campeão nacional, por que razão o FC Porto não registou ganhos?

A SAD dos azuis e brancos não apresentou as contas “no verde” porque, apesar de ter havido uma melhoria de quase 7% nas contas, as despesas da sociedade aumentaram ainda mais.

De acordo com a demonstração de resultados, a SAD portista mostrou uma subida das receitas em quase 7%, para 105,8 milhões de euros – valor que não inclui a faturação dos 50 milhões de euros com vendas de passes de jogadores. Mesmo assim, as despesas cresceram quase 10%, para 133,7 milhões de euros. Resultado: um resultado operacional negativo em 28 milhões de euros.

  • Os valores apresentados colocam em causa o acordo com a UEFA?

O clube diz que não. Ainda que tenha sido registado um prejuízo, os 28,4 milhões de euros negativos, esse valor representa uma melhoria de 6,87 milhões de euros face ao exercício homólogo. “Este resultado, apesar de negativo, segue a tendência que a sociedade se comprometeu a seguir e respeita o compromisso assumido com a UEFA para o equilíbrio nas suas contas de exploração”, lê-se.

A SAD do FC Porto assegura que tem “vindo a cumprir o compromisso assumido com a UEFA, no âmbito do Settlement Agreement, tendo atingindo, nos dois primeiros exercicicos abrangidos, um défice dentro do limite estabelecido neste acordo, assinado em junho de 2017”.

  • Que consequências podem advir deste resultado negativo?

A primeira consequência, a mais natural, é o agravamento da situação financeira do clube – mesmo que o clube assegure uma relação de equilíbrio. É que o capital próprio, que já estava negativo em 9,1 milhões de euros, agravou-se ainda mais para 38 milhões de euros.

Outras consequências, fruto destes números, é a constatação da SAD do FC Porto de que o plantel, marca clubística e o valor do capital próprio encontram-se subvalorizados. Isto é, contabilisticamente estes três critérios de valorização comercial estão registados abaixo do seu valor de mercado.

A esta situação acresce, ainda, o facto de que a SAD do FC Porto fechou junho deste ano com um passivo de 464 milhões de euros, aumentando em 76,6 milhões de euros no espaço de um ano. Este crescimento reflete, em parte, o empréstimo obrigacionista que a sociedade emitiu em junho, no valor de 35 milhões de euros.

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