Resultados travaram queda das bolsas

A divulgação de resultados de empresas norte-americanas permitiu acalmar as bolsas, travando a violenta correção da semana passada.

Há pouco mais de uma semana, no dia 11 de outubro, as bolsas mundiais estavam em sobressalto. Face ao início do mês, o Nasdaq acumulava perdas de 10% e o Dow Jones mais de 7%. Na Europa, o panorama não era diferente, com o STOXX, o DAX e PSI 20 a recuarem 7%, 6% e 7,5%, respetivamente. As justificações dos analistas foram várias, mas há um fator que não foi muito referido e que nos parece ajudar a explicar, pelo menos em parte, a violência e rapidez das correções: o facto de a estrutura dos mercados estar cada vez mais assente na negociação com algoritmos, em estratégias growth, na maior utilização de ETF e na diminuição do trading proprietário acaba por potenciar este tipo de movimentos.

Pelo menos para já, os mercados foram “salvos” por um conjunto de boas notícias no início da época de divulgação de resultados nos Estados Unidos. Os maiores bancos JP Morgan, Citibank, Bank of America Goldman Sachs e Morgan Stanley – apresentaram bons resultados, no setor tecnológico, a Netflix disparou 10% após ter divulgado um crescimento acima do esperado da base de subscritores. Sendo o setor tecnológico o “farol” deste bull market, os resultados da Netflix tiveram um impacto particularmente relevante.

Ainda é cedo para se perceber se estamos perante apenas uma correção dos mercados ou o início de algo mais. Até porque já houve empresas a dececionar na earnings season, como a IBM e Home Depo, sem esquecer que a famosa cadeia de vendas a retalho Sears pediu proteção de credores. Em todo o caso, os principais índices negoceiam acima da média móvel de 200 dias e essa pode ser uma ferramenta simples, mas eficaz, para analisar a saúde do bull market.

Na Europa, a situação foi semelhante, se analisada num prazo mais curto: a acalmia nas praças americanas contagiou positivamente as bolsas do ‘velho continente’. Só que o contexto é bem diferente: os índices estão bem abaixo da média móvel de 200 dias PSI 20 incluído e não é possível ser tão otimista como em relação a Nova Iorque. Citando alguns números: em 2018, o DAX, STOXX, IBEX e PSI 20 estão a perder 9%, 6,5%, 10,7% e 5,8%, respetivamente; o índice setor bancário europeu está a recuar 20% em 2018.

Em Portugal, houve várias novidades merecedoras de destaque. O cancelamento da colocação em bolsa da SONAE MC não era esperado, tendo sido justificado com a volatilidade dos mercados da semana passada. A nível internacional, foram várias as empresas que também decidiram cancelar as suas operações, pelo que podem ter sido os investidores institucionais a dar indicações nesse sentido. Na EDP, a Capital Group vendeu a totalidade da sua participação, tendo entrado no capital a Elliot Management do conhecido gestor Paul Singer. Destaque ainda para o anúncio de uma Assembleia Geral do Millennium BCP que, caso o BCE o autorize, deverá permitir ao banco pagar dividendos, talvez já em 2019.

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