Risco sísmico em Lisboa: “É como estar em cima de um barril de pólvora”

Investigador do Instituto Superior Técnico afirma que se está “mais seguro em cima da Ponte 25 de Abril ou da Vasco da Gama do que em muitos prédios de Lisboa”.

O professor e investigador do Instituto Superior Técnico, Mário Lopes, defendeu que o risco sísmico em Lisboa é um problema que não pode ser ignorado, na primeira de várias reuniões da comissão de Urbanismo da assembleia municipal. O especialista assinalou erros, mas também indiferença em relação ao problema, sendo que acredita que Lisboa ficaria em escombros se acontecesse outro sismo como o de 1755.

“O problema sísmico não se resolve a nível técnico. Isto é, como muitos outros problemas do país, um problema político”, defendeu Mário Lopes na quarta-feira durante uma reunião com os deputados das comissões de Urbanismo e Mobilidade da Assembleia Municipal de Lisboa, citado pelo “Público”. “Nós estamos em cima do problema. É como estar em cima de um barril de pólvora e a mecha estar a arder”.

O investigador comparou Lisboa à cidade italiana de Amatrice que sofreu entre agosto e dezembro de 2016 vários sismos. Mário Lopes acredita que se assim fosse, não ficariam construções de pé na capital nacional, numa crítica tanto aos moldes da reabilitação urbana, como ao que acredita ser uma inércia por parte das forças políticas em relação ao assunto.

“A Baixa é um marco da História da Humanidade que nós próprios temos andado a destruir”, acrescentou em relação à remoção das gaiolas pombalinas e ampliação do número de pisos sem o reforço das bases dos edifícios. “Isto é a receita para o desastre”.

Quando questionado sobre o risco de colapso das pontes que unem as duas margens do rio Tejo pela deputada do PSD Rosa Carvalho da Silva, o investigador Mário Lopes afirmou que se está ” mais seguro em cima da Ponte 25 de Abril ou da Vasco da Gama do que em muitos prédios de Lisboa”. A comissão de Urbanismo da assembleia municipal continuará com uma série de reuniões sobre o risco sísmico de Lisboa, cujas conclusões vão ser publicadas num relatório.

 

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