Sair da sala de aula e emergir na alma e língua russa

A temática da Educação é o elo de ligação que permite levar mais longe a abrangência da iniciativa, realizada este ano em Cascais, devido ao envolvimento das escolas.

Camões está traduzido em russo desde o século XVIII. Tolstoi, Dostoievski, Pushkin, Pasternak são lidos em português há décadas. “São clássicos, fazem parte da literatura universal e lidos por uma boa parte dos portugueses”, sublinha ao Educação Internacional Júlia Ladeira Santos, Principal da International Sharing School – Madeira, instituição de ensino regular portuguesa que tem a língua e a cultura russa como uma disciplina do seu curriculum.

A importância da divulgação desta língua e cultura levou a Fundação Sharing, detentora da escola, a iniciar as semanas culturais de língua e cultura russa em 2012. Inicialmente, a iniciativa foi realizada no Funchal, cidade onde está implantada há 38 anos a International Sharing School Madeira, tendo chegado há dois anos a Lisboa e este ano a Cascais. O facto foi destacado por Carlos Carreiras, presidente do Município: “Aqui em Cascais, a comunidade russa está envolvida no nosso dia-a-dia.”

A língua e a cultura russas constituem um motivo para levar as crianças e os jovens a visitar a exposição “Arte Popular Russa uma Tradição Continuada”, patente na Casa de Santa Maria e que, entre muitas outras obras, conta com peças de Irina Marcelo Curto, diretora do Centro de Arte e Cultura Russa em Cascais e professora-coordenadora da disciplina de Artes, Língua e Cultura Russa na International Sharing School – Taguspark.

“Podemos observar uma proximidade muito grande entre a arte e a cultura russa e a arte e cultura portuguesa, nomeadamente no que toca aos brinquedos”, observa Júlia Ladeira Santos. Este é, de resto, segundo a Principal da International Sharing School – Madeira, um dos pontos mais importantes para dar a conhecer às crianças das escolas que visitam a exposição “Arte e Cultura Russa”.

A relação entre Portugal e a Rússia em múltiplos campos é muito antiga, passa pelo vinho Madeira e Porto e pela estada de artistas russos na ilha da Madeira, dos quais o mais significativo foi Karl Briullov no século XIX, que aí pintou alguns dos seus mais famosos quadros, que, hoje, podem ser vistos na Galeria Tretyakov em Moscovo e no Museu Hermitage em São Petersburgo. O inverso também acontece. A história de amor de Inês de Castro e D. Pedro de Portugal é uma referência para qualquer russo culto. Esta história, que tanto emociona os russos, é contada na revista “Arte Russa”, publicação agora traduzida para língua portuguesa. A edição em português, apresentada na inauguração da V Semana Russa, é da responsabilidade da Fundação Pavel Tretyakov, com o apoio das fundações portuguesas Sharing e D. Luís I e o patrocínio do grupo Estoril Sol. Na cerimónia, Salvato Telles de Menezes, presidente da Fundação D. Luís I, destacou a importância da iniciativa se realizar em Cascais, município que dedica grande importância à cultura, e Sílvio Santos, presidente da Sharing Foundation, colocou em evidência o multiculturalismo e o seu contributo na aproximação entre os povos.

Na Semana da Cultura Russa, que já vai na quinta edição, a temática da Educação é um elo de ligação, que permite levar mais longe a abrangência da iniciativa, devido ao envolvimento das escolas. “É gratificante ver que as crianças e os jovens ficam agradavelmente surpreendidos e motivados para aprofundarem os seus conhecimentos em língua russa”, conclui Júlia Ladeira Santos.

 

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