Santos Silva: “Intervenção militar não é solução para transição política na Venezuela”

O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que a crise na Venezuela se deve ao impasse criado pela “intransigência” do Governo de Nicólas Maduro e que Portugal é favorável à realização de novas eleições no país.

António Cotrim / Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, reiterou esta terça-feira que a intervenção militar não é solução para a transição política na Venezuela. Augusto Santos Silva diz que a crise na Venezuela se deve ao impasse criado pela “intransigência” do Governo de Nicólas Maduro e que Portugal é favorável à realização de novas eleições no país.

“Portugal é favorável a todas as soluções que garantam uma transição política, por via pacífica, na Venezuela, o que para nós significa a convocação de eleições”, afirmou Augusto Santos Silva, em audição na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas. “[A intervenção militar proposta pelos Estados Unidos] não é da intenção do Governo”.

Augusto Santos Silva garantiu que, apesar de a União Europeia (UE) ter “o carril de medidas restritivas”, que não são dirigidas à economia nem à população, mas a indivíduos próximos do Governo, Portugal “tem insistido na criação de um mecanismo que favoreça o relançamento de um processo político na Venezuela, que assegure uma transição política pacífica no país”.

O ministro salientou que a situação que se vive na Venezuela atualmente foi espoletada “não por problemas sociais ou económicos”, tendo em conta que o país “era tradicionalmente um dos países mais apetrechados de recursos materiais”, mas sim por problemas políticos e institucionais. “É essa a raiz para o problema que se vive na Venezuela”, sublinhou.

Lembrando que Portugal é “um dos países europeus com mais nacionais na Venezuela”, Augusto Santos Silva garantiu ainda que está a acompanhar de perto a situação dos portugueses que vivem no país. O ministro revelou também que o cidadão português que foi detido numa manifestação contra o Governo de Nicólas Maduro já foi libertado pelas autoridades venezuelanas.

A “audição urgente” do ministro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento, foi requerida pelo grupo parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), a fim de obter esclarecimentos sobre a situação que a Venezuela está a viver e o posicionamento do Governo português, tendo em conta que no país vive uma comunidade portuguesa significativa, estimada em cerca de 300 mil pessoas.

“[A comunidade portuguesa na Venezuela] tem sido muito afetada pela governação de [Nicólas] Maduro levando a um verdadeiro êxodo de muitos milhares desses portugueses que, fugindo à crise económica e à insegurança que se verifica no país, levou ao seu regresso a Portugal”, lê-se no requerimento entregue pelo PSD na Assembleia da República.

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