“Serão tiradas todas as consequências sem olhar a quem”. Governo reage a pedidos de exoneração de Carlos Costa

“serão tiradas todas as consequências sem olhar a quem”, realçou Ricardo Mourinho Félix, não esquecendo que estão a ser apuradas as responsabilidades do ponto de vista criminal, contraordenacional, e civil.

Cristina Bernardo

O Governo, através do secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix reagiu esta segunda-feira ao pedido de exoneração do Bloco de Esquerda e às considerações do CDS sobre o governador do Banco de Portugal, garantindo que “serão tiradas todas as consequências sem olhar a quem”, não esquecendo que estão a ser apuradas as responsabilidades do ponto de vista criminal, contraordenacional, e civil.

As declarações de Ricardo Mourinho Félix foram proferidas esta tarde ao Expresso.

“O Governo pediu à CGD que fizesse o apuramento das responsabilidades e é nesse apuramento das responsabilidades que foi pedido […] que temos de olhar para todos os que possam ter estado envolvidos em atos de gestão”, afirmou aos jornalistas, em Bruxelas, o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, falando no final de uma reunião do Eurogrupo.

Questionado sobre as posições do BE e do CDS-PP, que admitiram hoje pedir uma exoneração do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, face à sua ligação à CGD e à investigação do supervisor ao banco público, o responsável vincou: “Estão a ser apuradas responsabilidades civis, criminais e contraordenacionais de todos os que estiveram envolvidos […] e das quais serão tiradas todas as consequências sem olhar a quem”.

O que pede o CDS?

O deputado e porta-voz do CDS-PP João Almeida considerou que a atividade anterior de administrador da CGD de Carlos Costa “está a arrastar o Banco de Portugal para o centro do debate”, o que considera ser prejudicial para o seu papel de supervisor.

Questionado se o CDS-PP pondera pedir a exoneração de Carlos Costa, como fez hoje o BE, João Almeida respondeu afirmativamente.

“Quando o supervisor tem um governador que pede escusa num dos processos mais importantes que o banco tem para apurar, é indiscutível que a exoneração tem de se colocar”, respondeu.

O que pede o Bloco de Esquerda?

Os bloquistas pedem ao Executivo de António Costa a exoneração do governador do Banco de Portugal (BdP) face à impossibilidade de aferir a sua idoneidade, dado que Carlos Costa escapou à avaliação que o regulador está a fazer a ex-gestores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que participaram em atos de decisão de créditos ruinosos do banco público, resultado em perdas de 1,6 mil milhões de euros, segundo o relatório de auditoria à gestão da Caixa entre 200 e 2015.

“Face ao comprovado envolvimento na Caixa Geral de Depósitos, Carlos Costa não cumpre as condições de escrutínio e isenção para o desempenho das funções de Governador do Banco de Portugal”, defende o BE no projecto de resolução que dará entrada Parlamento nesta segunda-feira, 11 de Fevereiro.

O que originou este pedido de exoneração?

Os bloquistas recomendam ao Governo que “exonere o Governador do Banco de Portugal, Carlos da Silva Costa” na sequência de notícias da revista Sábado que revelou que Carlos Costa esteve em reuniões do conselho de crédito da CGD que aprovaram “sem justificação”, créditos ruinosos da CGD como as operações de Vale do Lobo, e empréstimos a Manuel Fino e Joe Berardo. E também do Jornal Económico, na sexta-feira passada, que revelou que Carlos Costa, apesar de ter sido administrador no banco público entre 2004 e 2006, escapou à avaliação de idoneidade aos ex-gestores da Caixa, num exame que envolve menos de 10 antigos administradores, que está a ser levada a cabo pelo BdP.

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