“Sim, temos algo a aprender com Portugal”. Espanha elogia ambiente político do ‘vizinho’ ibérico

A jornalista, escritora e tradutora espanhola Pilar de Río tece ao longo deste artigo acontecimentos da vida política portuguesa, comparando-os com os momentos conturbados que se vivem em Espanha, nomeadamente no que diz respeito à contestação ao Governo liderado por Pedro Sànchez.

“Sim, temos algo a aprender com Portugal”. É assim que Pilar del Río, viúva do escritor português e Nobel da Literatura, José Saramago, termina o seu artigo de opinião publicado este sábado na edição online do jornal “El Diario”. A jornalista, escritora e tradutora espanhola tece ao longo deste artigo acontecimentos da vida política portuguesa, comparando-os com os momentos conturbados que se vivem em Espanha, nomeadamente no que diz respeito à contestação ao Governo liderado por Pedro Sánchez.

No contexto político espanhol, vão longe os tempos em que a oposição jurou apoiar o governo a superar o terrível flagelo da pandemia de Covid-19. O executivo de coligação entre PSOE e Unidas Podemos começa a dar mostras de algum cansaço ao fim de 17 semanas de governação.

“A foto do Presidente da República portuguesa em calções de desporto e a integrar a fila para entrar num supermercado as delícias fora de Portugal, mas isso acontece no seu país, onde a maioria da população considera normal que os servidores públicos tratem da sua vida doméstica”, escreve Pilar del Rio que recorda ainda um outro episódio nos anos 90 e que envolve outro Presidente da República: “nos longínquos anos 90, vi o Presidente Jorge Sampaio a empurrar um carrinho de compras e Sampaio, ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, não é expansivo”.

Para Pilar del Río, a naturalidade da foto de Marcelo “e os elogios que foram proferidos para membros do Governo e para a oposição de Portugal, pelo seu comportamento durante os dias duros da pandemia não se podem confundir com a ausência de turbulências na vida política portuguesa: existem e não são insignificantes”.

A viúva de José Saramago perspetiva que, de acordo “todos os oráculos, haverá um crise de Governo em Portugal, não atribuível a manobras obscuras mas sim à própria dinâmica da política”. Pilar del Río referia-se à mais que provável saída de Mário Centeno do Governo e à “polémica desencadeada por um empréstimo legal, apesar de inoportuno e mal explica, a um banco em venda, o Novo Banco”. E como se debelou esta questão? “Costa e Centeno sentaram-se (…) assumiram erros de interpretação (…) e quase deram um abraço rompendo a distância social (…) o problema existiu, a solução também”, escreve a jornalista.

Para a jornalista e tradutora, as cenas da vida social e política portuguesa “contrastam com a tensão espanhola”. Pilar del Río fala ainda da expressão de apoio de António Costa a Marcelo Rebelo de Sousa na corrida às próximas eleições presidenciais: “O normal nos processos eleitorais é que cada partido apresente o seu candidato, mas pode acontecer que quem exerce a função tenha conquistado simpatia dos cidadãos, independentemente das suas opções ideológicas”.

Pilar del Río termina o artigo de opinião realçando que os últimos acontecimentos em Portugal “ensinam que nas sociedade mais avançadas, as guerras civis não funcional. Assim, temos algo que aprender com Portugal”.

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