Sindicato dos estivadores recusa reunir com o Governo

O Sindicato dos Estivadores Conferentes e Tráfego dos Portos do Douro e Leixões recusa-se a comparecer na reunião desta quinta-feira com a ministra do Mar, em Matosinhos, que diz servir para tentar um acordo com outro sindicato.

Cristina Bernardo

O Sindicato dos Estivadores Conferentes e Tráfego dos Portos do Douro e Leixões recusa-se a comparecer na reunião desta sexta-feira com a ministra do Mar, em Matosinhos, que diz servir para tentar um acordo com outro sindicato.

Numa carta dirigida à presidente da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), Guilhermina Rego, aquele sindicato garante que não estará na reunião em que participarão a ministra Ana Paula Vitorino e membros do Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL).

Após uma reunião em que as conclusões anunciadas foram deliberadas por “unanimidade”, aquele sindicato afirmou “repudiar qualquer tentativa política de consagrar [o presidente do SEAL, António] Mariano como interlocutor dos trabalhadores deste porto”.

Recusa ainda que o SEAL seja “parceiro social” no que toca ao Porto de Leixões.

Na mesma carta, dão ainda conta da sua repulsa por “qualquer tentativa política e individual de quebrar a coesão da estrutura federativa nacional em que o sindicato se integra”.

“O nosso sindicato defende e promove a livre filiação e não acredita em monopólios sindicais, nem do nosso sindicato nem [em] nenhum da federação a que presido”, afirmou o representante dos estivadores do Norte, Aristides Peixoto, quarta-feira na audição da comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social, a pedido do Bloco de Esquerda (BE).

Lembrando terem “convidado em agosto, a ministra do Mar a visitar o Porto de Leixões”, mas que a visita foi “sendo sucessivamente adiada para agora ganhar este incompreensível formato”, aquele sindicato acha, na carta, incompreensível este comportamento, frisando “representar a quase totalidade dos estivadores de Leixões” e ser “o único sindicato de Leixões que tem uma convenção coletiva acordada com as empresas de estiva”.

A carta prossegue com o sindicato a enfatizar o ter assegurado “aumentos de 4% para este ano” e “melhorias de condições” nos “últimos 23 anos consecutivos”, algo sem paralelo “em qualquer outro porto representado pelo SEAL”, vincando ainda que o porto de Leixões “nunca deixou de funcionar” enquanto “tantos outros portos do país estão paralisados ou continuam massacrados por greves sucessivas”.

Perante isto, lamentam que a governante “em vez de levar o sucesso de Leixões para o país”, se proponha a “trazer os problemas do resto do país para Leixões”.

Assumindo-se como “homens livres” que escolhem “com quem se sentam à mesa”, os sindicalistas recusam-se a dialogar com o “senhor Mariano” de quem dizem “faz da intimidação física método negocial”, acusando-o ainda de “prejudicar a sua classe, os seus colegas, o seu setor e o seu país”.

Desagradados por o líder do SAEL ser recebido na APDL, consideram essa atitude “cúmplice dos métodos, objetivos e dos crimes que têm sido cometidos”.

“É uma manifestação de temor”, conclui o sindicato, defendendo que o porto de Leixões “não pode nem será confundido com estas realidades” nem usado como “moeda de troca nas negociações políticas de um ministro”.

 

Ler mais
Recomendadas

BE defende suspensão do concurso para as obras de prolongamento do quebra-mar no porto de Leixões

Projeto de resolução dos deputados bloquistas, entregue ontem no Parlamento, “recomenda a suspensão do concurso limitado por prévia qualificação para as obras de prolongamento do quebra-mar exterior e respetivas acessibilidades marítimas no Porto de Leixões”.

Financiamento das administrações públicas caiu 600 milhões nos primeiros dois meses de 2019

Este valor é inferior aos 200 milhões de euros registados em igual período de 2018, de acordo com uma nota divulgada esta terça-feira pelo Banco de Portugal (BdP).

DBRS: Brexit pode vir a ser novamente adiado ou até mesmo cancelado

A agência de notação financeira canadiana prevê que a economia de terras de Sua Majestade continue a crescer, mas a um ritmo mais lento.
Comentários