Sindicato dos Quadros e Técnicos Bancários quer entrar no capital do Novo Banco

Sindicato quer ser parte ativa do processo de aquisição da instituição liderada por António Ramalho. Intenção já foi manifestada ao BdP e ao Fundo de Resolução. Para hoje está prevista uma reunião com administração do banco.

O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) está a equacionar a possibilidade de participar no capital social do Novo Banco, em parceria com a Lone Star, e já manifestou a sua intenção de ser parte ativa no processo de aquisição desta instituição bancária através de uma carta enviada ao Governador do Banco de Portugal (BdP) e ao Fundo de Resolução. Para hoje está revista uma reunião com a administração do banco.

“O Novo Banco é uma instituição de referência em Portugal, assumindo um papel muito importante no apoio às PME e na dinamização da economia nacional”, afirma Paulo Marcos, presidente do SNQTB.

Para este sindicalista, “o novo acionista deve assegurar a viabilidade desta instituição e, neste âmbito, é desejável que os colaboradores tenham uma efetiva intervenção na gestão e no futuro do Novo Banco, tal como acontece nas mais avançadas economias europeias”.

O SNQTB está convicto que a Lone Star implementará um projeto com base na manutenção do valor, no crescimento do Banco e na valorização dos trabalhadores de um dos mais eficientes bancos europeus. “Mas o SNQTB não está disponível para participar em projetos que, aproveitando a fragilidade negocial e a perda de autonomia financeira da República Portuguesa, redundem na destruição de valor ou na eliminação de postos de trabalho”, alerta Paulo Marcos.

A intenção de participar no capital do Novo Banco surge na sequência do convite formulado pela Lone Star a vários investidores portugueses. Para o presidente do SNQTB, o sindicato mais representativo dos trabalhadores bancários portugueses,  esta estrutura “não pode alhear-se da sua responsabilidade”, defendendo que o projeto para o Novo Banco deve ser o de “garantir uma instituição com futuro e não uma oportunidade de especulação financeira”.

O SNQTB sinaliza estar disponível para uma participação no capital ou para um sistema de co-gestão, numa altura em que o BdP confirmou que escolheu a Lone Star para “uma fase definitiva de negociações, em condições de exclusividade”. O objectivo, segundo o regulador, é a “finalização dos termos em que poderá realizar-se a venda” do Novo Banco.

Os norte-americanos da Lone Star querem ficar com pelo menos 70% do Novo Banco. No domingo o comentador Luís Marques Mendes tinha revelado uma nova modalidade de venda que depende de Bruxelas, uma vez que altera a lei de Resolução que levou à criação do banco de transição, que passa por os norte-americanos ficarem com 65% ou “um pouco mais” do Novo Banco.

Ontem, Mário Centeno, ministro das Finanças, disse pela primeira vez que o Novo Banco poderia ser vendido numa nova modalidade, diferente das duas anunciadas pelo Banco de Portugal, a 31 de março de 2016. Isto é, abaixo do 100%. Uma alteração que exige agora negociações com Bruxelas e a Direcção Geral de Concorrência (DGComp) para a operação obter luz verde e o Novo Banco deixar de ser banco de transição.

Essa nova modalidade decorre da proposta do Lone Star que para deixar cair a garantia que suportava desvalorizações dos activos aglutinados no Novo Banco, numa divisão apelidada de side-bank, exige uma entidade pública fique com uma posição minoritária no interesse económico do banco de transição.

Marques Mendes disse no seu comentário semanal que poderá haver até 10% do capital (ou um pouco menos) do Novo Banco, detido por empresas ou grupos portugueses.

O quarto ponto revelado por Marques Mendes é que o aumento de capital do Novo Banco terá um valor de 1.000 milhões de euros, quando antes era de apenas 750 milhões de euros. Por fim, haverá uma cláusula em que pelo menos durante três anos, o Lone Star não poderá vender a sua participação no banco.

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