Sindicatos em Portugal estão “impregnados numa certa ideologia e têm grande dificuldade em flexibilizar”

Com grandes multinacionais a tentar evitar a continuação do teletrabalho, este foi um tema em destaque na segunda parte da conferência “O Futuro do Emprego em Portugal”, onde o co-coordenador da equipa de laboral na Morais Leitão sustentou que os sindicatos não cumprem o seu dever quando tentam “evitar a mudança que a própria realidade impõe”.

O responsável pela área laboral e também sócio da área de contencioso e arbitragem na Vieira de Almeida (VdA), Rui Andrade, defendeu que os sindicatos em Portugal “ainda estão muito impregnados num certa ideologia e estão presos a estas ideologias, e têm grande dificuldade em flexibilizar”, referindo-se ao tema do teletrabalho que têm estado em destaque no último ano.

Durante a sua intervenção na conferência digital “O Futuro do Emprego em Portugal”, organizada pelo Jornal Económico em parceria com a Multipessoal, esta quinta-feira, 4 de março, o sócio da VdA sustentou que a rigidez dos sindicatos e das comissões se transferem para os trabalhadores, quando questionado sobre se seria possível uma mudança gradual de posição destas entidades perante a nova realidade que se vive.

Rui Andrade classifica como “impressionante” a postura de um trabalhador português em Portugal e do mesmo trabalhador no estrangeiro. “Os gestores portugueses e os portugueses em geral, inclusive os trabalhadores portugueses, têm características que os fazem únicos”, apontou o responsável pela área laboral na VdA.

Por sua vez, o co-coordenador da equipa de laboral na Morais Leitão, Luís Miguel Monteiro, explicou que “ninguém cumpre o seu papel quando tenta evitar a mudança que a própria realidade impõe”, nomeadamente a realidade atual do teletrabalho, quando questionado sobre o papel dos sindicatos perante a nova realidade.

“Não conheço muitas convenções coletivas que tenham aprofundado esta matéria do teletrabalho e estas questões importantíssimas do direito à desconexão que têm sido referidas, o direito à introdução de sistemas de quebra do tempo de trabalho e distinção do mesmo”, disse na conferência.

“Tenho visto mais o papel dos sindicatos em situações de grande crise. Aí sim a aderirem a situações de sacrifício de alguns direitos dos trabalhadores, como é o exemplo da TAP e da banca no passado. São situações muito extremadas e nessa altura os sindicatos fazem um balanço e tomam as suas opções entre uma perda absoluta de emprego ou alguma redução temporária nos rendimentos”, apontou.

“Os sindicatos têm papel muito importante porque o seu desempenho e importância no domínio das relações de trabalho é insubstituível, seja no nosso país seja noutros. Sindicatos devem existir e devem desempenhar o seu papel de representante dos trabalhadores mas tbm, tal como os empregadores, devem entender que evolução se faz de consensos”, apontou o co-coordenador que integra o painel da conferência “O Futuro do Emprego em Portugal”.

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