Sindicatos entregam novas propostas de aumentos salariais ao BCP

Acordo salarial para dois anos ou, em alternativa, um aumento mínimo fixo são as propostas apresentadas pelos Sindicatos dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) e do Centro (SBC) à administração do banco que insiste não ser possível ir além de aumentos salariais de 0,6%.

Cristina Bernardo

Os Sindicatos dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) e do Centro (SBC) revelam que entregarm ao BCP no final da semana passada novas propostas de aumentos salariais. Em cima da mesa negocial estão duas propostas: um acordo salarial para dois anos ou, em alternativa, um aumento mínimo fixo. Até ao final do mês, o banco liderado por Miguel Maya assegura, por sua vez, que será paga a compensação de 30% dos cortes salariais.

“​Tal como no ACT [Acordo Coletivo de Trabalho] do setor, SBSI e SBC propõem ao banco um acordo salarial para dois anos ou, em alternativa, um aumento mínimo fixo”, avançam os sindicatos, em comunicado, dando conta de que “a administração vai analisar impacto”.

Segundo estas estruturas sindicais, na reunião de negociação para a revisão das tabelas, realizada dia 21 de junho, SBSI e SBC reiteraram a necessidade de haver aumentos salariais para ativos e reformados.

“Face à posição do banco de não ser possível ir além de 0,6%, os Sindicatos deixaram claro que esse valor não é aceitável. E, dando um passo em frente, apresentaram duas propostas”, acrescentam.

O SBSI e SBC avançam ainda que manifestaram a sua disponibilidade para também no BCP ser negociado um acordo para dois anos, apresentando uma proposta idêntica à do ACT do setor bancário, com aumentos salariais para 2019 e 2020, bem como o aumento do subsídio de refeição para dez euros.

Já a segunda proposta deixada sobre a mesa, explicam, foi a negociação de um valor mínimo fixo de aumento.

Estes sindicatos asseguram que a administração mostrou disponibilidade para analisar ambas as propostas, ficando de calcular o impacto e consequentemente a viabilidade, e então dar a resposta.

Compensação de cortes salariais é paga este mês

O SBSI e SBC dão também conta de que a administração do BCP confirmou ainda que a distribuição de resultados “será paga este mês”, tal como foi prometido aos sindicatos dos bancários na sequência do seu apelo aquando da assembleia de acionistas, que aprovou a compensação de 30% dos cortes salariais.

Recorde-se que na assembleia geral do BCP, realizada a 22 de maio, foi dada luz verde à distribuição de 30 milhões de euros aos acionistas e ainda mais 12 milhões aos trabalhadores do banco, de forma faseada, “no âmbito do processo de compensação pela redução de salários acordada ao abrigo do Acordo Coletivo de Trabalho, conforme redação publicada em 29 de março de 2014, no Boletim do Trabalho e Emprego n.º 12”, como referiu o banco em abril.

SBSI recusa conciliação e continua negociações salariais com o BCP

O Sindicato dos Bancários do Norte (SBN) apelou recentemente à intervenção Direção-Geral do Emprego para mediar as conversas com o banco para ultrapassar o atual impasse. Mas o SBSI recusa processo de conciliação e quer continuar a negociar para ultrapassar o atual impasse da atualização salarial.

O SBSI assegura que não desiste das negociações por considerar ser ainda possível chegar a um acordo com o banco relativamente ao aumento da tabela salarial e cláusulas de expressão pecuniária.

“No âmbito da Febase, os Sindicatos foram confrontados com um pedido de conciliação do processo negocial do BCP, apresentado pelo SBN. SBSI manifestou-se contra, deixando claro que não desiste de tentar chegar a acordo com o banco relativamente ao aumento da tabela salarial e cláusulas de expressão pecuniária”, revelou no início de junho, o SBSI em comunicado na sequência do impasse da negociação de revisão salarial numa altura em que o setor já conclui há largos meses a revisão da tabela salarial do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), com aumentos médios de 0,75% com os sindicatos a reclamarem que redução de salários dos trabalhadores cessou em julho de 2017, mas ainda continua por devolver a soma dos valores retidos.

Já o SBN afirma não abdicar das atualizações salariais com efeitos a 2018 e não se conforma com o impasse do processo negocial, exigindo o pagamento imediato de, pelo menos, os aumentos acordados com a APB (Associação Portuguesa de Bancos) sem prejuízo da continuação das negociações para a revisão do ACT- BCP.

Para o SBN ”o impasse nas negociações para 2018 representa uma verdadeira recusa do BCP de cumprir o dever de negociar, o que é tanto mais inadmissível quanto é certo que a última revisão do ACT – Acordo Coletivo de Trabalho – para o Grupo BCP já foi publicada há mais de 2 anos, sem aumentos salariais, pelo que os trabalhadores do BCP se encontram sem atualizações salariais desde janeiro de 2010, com a agravante de ter havido redução das condições retributivas em 2014”.

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