Só treinar não chega, há que rentabilizar o jogador

Resiliência, cultura tática, competências pessoais e uma apreciável capacidade de gestão são as características mais admiradas no treinador português. A estas quatro, junta-se a rentabilização dos ativos. Jardim, Jesus e Mourinho são exemplos disso.

RS – FUTEBOL/TREINO GREMIO – ESPORTES – Jogadores do Gremio realizam treino durante a tarde desta segunda-feira no Centro de Treinamentos Luiz Carvalho, na preparacao para o Campeonato Gaucho. FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Os treinadores portugueses são sinónimo de boa rentabilização de jogadores, não só dentro das quatro linhas, mas também quando se trata de encaixar milhões de euros.

Exemplos disso são Jorge Jesus, José Mourinho e Leonardo Jardim, como os técnicos que têm mostrado mais talento também na hora de multiplicar os seus ativos.

Atualmente ao serviço dos árabes do Al-Hilal, Jorge Jesus, protagonizou nos rivais Sport Lisboa e Benfica e Sporting Clube de Portugal, as suas maiores transferências. Nos ‘leões’, João Mário transferiu-se por 40 milhões de euros para os italianos do Inter de Milão. Pelo mesmo valor, saiu Axel Witsel dos encarnados para os russos do Zenit. O argentino Di Maria rendeu 33 milhões de euros às ‘águias’ quando decidiu rumar à vizinha Espanha, para jogar no Real Madrid.

Por sua vez, José Mourinho, que lá fora já treinou Real Madrid e Manchester United, entre outros, realizou ao comando técnico do Inter de Milão a sua maior transferência na carreira até ao momento, quando no ano de 2009 viu o sueco Zlatan Ibrahimovic trocar os ‘nerazzurri’ pelo Barcelona, a troco de 69,5 milhões de euros.

Na sua segunda passagem por Londres, para orientar o Chelsea, o treinador português transferiu em 2015, o defesa central brasileiro e antigo jogador do Benfica, David Luiz, para os franceses do Paris Saint-Germain por 50 milhões de euros. No entanto, já no ano anterior, José Mourinho havia transferido do emblema londrino para o rival Manchester United, o espanhol Juan Mata, por 44 milhões de euros.

Finalmente, Leonardo Jardim, foi aquele que mais dinheiro deu a ganhar enquanto treinador, com a particularidade de o ter feito apenas com um clube, o Mónaco. Ao serviço do emblema do principado, o técnico transferiu Kyllian Mbappé para o rival Paris Saint-Germain por uns ‘astronómicos’ 180 milhões de euros. Por 75 milhões, o colombiano James Rodriguez mudou-se para o Real Madrid e por 70 milhões de euros, Thomas Lemar saiu para o rival dos merengues, o Atlético de Madrid.

Ao todo, os três treinadores movimentaram 49 jogadores, com o campeonato inglês a liderar com 22 transferências, seguido de Espanha com 13, e França com seis.

João Marcelino, comentador do programa ‘Jogo Económico’, distingue o papel de Leonardo Jardim, já que “foi ele que descobriu o Mbappé, que lançou o Anthony Martial, que hoje está no Manchester United, e fez um trabalho notável com uma equipa de prospeção portuguesa. Dou bastante valor ao seu trabalho”, distinguindo-o de “Mourinho e Jesus que contam com muito dinheiro e obviamente acertam mais”.

O advogado e também comentador do ‘Jogo Económico’, Luís Miguel Henrique, salienta que “a partir do momento em que o negócio  [do futebol] se tornou sustentável passou a exigir-se ao treinador português algo mais do que a rentabilidade desportiva”.

Como tal, “hoje nós vemos treinadores que são muito mais do que apenas o treinador de futebol, como era encarado há umas décadas atrás, e hoje é, por excelência, um gestor de recursos humanos, que está na linha da frente de um criador de riqueza, de um potenciar e identificar talento e criar essas mais valias que são necessárias e indispensáveis”, diz o advogado.

Qual é o segredo do sucesso do treinador português?

Jardim, Jesus e Mourinho já deram a ganhar aos seus clubes um valor total de 1,6 mil milhões de euros. No Jogo Económico vamos debater qual o segredo do sucesso do treinador português.#desporto #futebol #treinadores #JorgeJesus #JoséMourinho #LeonardoJardim #SérgioConceição #RuiVitória #AbelFerreira#FCPorto #SLBenfica #SportingCP #SCBraga

Posted by Jornal Económico on Thursday, 17 January 2019

Artigo publicado na edição 1973, de 25 de janeiro, do Jornal Económico

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