Social-democratas dinamarqueses vão governar sozinhos

Três forças de esquerda apoiam o programa da primeira-ministra Mette Frederiksen, que inclui uma ambiciosa lei climática. A Escandinávia regressa aos braços da social-democracia.

O Partido Social Democrata dinamarquês chegou a um acordo com os partidos da esquerda parlamentar – liberais sociais, socialistas populares e os verdes da Lista Unitária – para governar sozinho. “Posso anunciar que, depois de três semanas de negociações, temos uma maioria para formar um novo governo”, disse a futura primeira-ministra Mette  Frederiksen (aos 41 anos, a mais jovem a alcançar aquele lugar na Dinamarca), citada pelos jornais do país.

O acordo põe fim a 20 dias de negociações após as eleições de 5 de junho, em que os quatro partidos envolvidos asseguraram 91 dos 179 assentos e Frederiksen ganhou com 25,9% dos votos.

Embora o governo seja minoritário, Frederiksen afirmou que o executivo estará aberto a uma “cooperação” com as forças que o apoiam parlamentarmente. “Outras partes são bem-vindas para chegarmos a acordos e também estão convidadas para a negociação política”, disse.

Os analistas afirmam que, embora ainda não sejam conhecidos os ministros, acreditam que todos serão oriundos do partido social-democrata, apesar de, no histórico de governos nos países nórdicos, os minoritários serem incomuns – sendo os de coligação claramente preferidos

As forças políticas envolvidas convergiram num documento apelidado ‘Uma direção justa para a Dinamarca’, que inclui por exemplo a promessa de uma lei climática que preveja a redução das emissões de gases com efeito de estufa em 70% até 2030. “É um acordo político, o primeiro no mundo que realmente reflete as ambições verdes”, disse Mette Frederiksen.

As alterações climáticas, tal como vem sucedendo um pouco por toda a Europa depois das eleições europeias de maio, estão no topo das agendas políticas, nomeadamente quando as negociações envolvem partidos de esquerda. O acordo estabelece também um compromisso para aumentar o investimento na área da saúde, a facilitação da entrada no país de mão de obra qualificada estrangeira e algumas mudanças na imigração.

Este último pode ter sido o plano mais sensível: é que Mette Frederiksen tinha estado anteriormente alinhada com o anterior primeiro-ministro, o liberal Lars Rasmussen, na produção de leis restritivas da imigração.

Lars Rasmussen renunciou ao cargo de primeiro-ministro após ser derrotado nas eleições de 5 de junho – de que resultou também um duro golpe para os ultranacionalistas do Partido Popular Dinamarquês, que perderam mais da metade dos votos.

De uma forma geral, a Europa assiste ao regresso em força das formações social-democratas ao poder na Escandinávia. Para além da Dinamarca, também a na Finlândia e na Suécia os atuais executivos são originários dessa frente ideológica – embora nestes casos em coligação.

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