Sofia Alves: Criar padrões que falam por si

Viveu no Reino Unido, no Brasil e percorreu a Ásia, mas escolheu instalar-se na lisboeta Mouraria, onde desenvolve um projeto próprio de pintura que, de forma artesanal, cresce para se tornar um padrão impresso.

quilo a que chamamos caos são apenas padrões que não reconhecemos; o que designamos como aleatório são apenas padrões que não podemos decifrar”, afirma Chuck Palahniuk, escritor que se tornou conhecido quando o seu livro Fight Club (Clube de Combate) foi transposto para o cinema e se tornou um filme de culto.
Para Sofia Alves, o desenho de padrões é um projeto de vida que toma forma, agora, numa startup que já merece reconhecimento, tendo sido premiada com o primeiro lugar na primeira edição do Programa de Aceleração das Indústrias Criativas, em Lisboa.
“Desde sempre que adoro pintar e criar. Mas sempre tive a ideia de querer transportar as pinturas para fora de quatro paredes, de lhes atribuir uma utilidade, de lhes dar uma vida. Então, foi natural o início de pesquisa e estudo de como o poderia fazer”, conta Sofia Alves ao Jornal Económico, explicando que, no início, está sempre a pintura, que evolui para se transformar num padrão.
E onde encontramos os padrões pensados por Sofia Alves? Em t-shirts e camisolas; em chapéus; em caixas; em capas de livros; em biquinis, para o verão, com uma nova colecção que será conhecida agora, durante o mês de março. O objetivo, esse, é criar uma marca com voz própria: “Criar uma marca, uma identidade, que fala por si, e que se consegue fazer reconhecer sozinha. Conseguir que a marca Sofia Alves Design e os seus padrões e pinturas estejam presentes em vários formatos em diferentes lugares do mundo. Que os meus padrões sejam requisitados para representar e preencher a maior quantidade de espaço e vazio que exista”, aponta, sublinhando que esse sonho se concretiza destacando-se pela originalidade.
“Quero fazer reconhecer o meu trabalho pela sua expressão única e singular, chegar a um número grande de pessoas, conseguindo manter sempre a liberdade de criar o que eu sinto e vejo”, afirma.

Ultrapassar os limites
Sofia Alves estudou em Portugal, no IADE, onde se licenciou em Design Gráfico e Design Industrial. Passou pela Escola de Moda de Lisboa e estagiou no atelier do estilista Filipe Faísca.
Mas não se ficou por aqui: também esteve no Brasil, no Recife, a estudar design de interiores, e no Reino Unido, onde completou o mestrado em Design Têxtil, no Chelsea College of Arts. Foi em Londres que aprendeu a ultrapassar limites. “[Este tempo] ensinou-me, acima de tudo, que não há barreiras nem limitações no ato de criar, de ser criativo”, diz.
O projeto de Sofia Alves é uma das startups da Incubadora de Artes Criativas do Centro de Inovação da Mouraria, onde a designer é uma das empreendedoras residentes, desenvolvendo caminhos para a concretização de padrões de forma manual e artesanal.
Fazer o que faz, nesta época, é uma vantagem: estamos aqui, mas o mercado é o mundo, que está sempre ali, ao alcance de um meio tecnológico. “Uma vantagem de se trabalhar como designer de padrões e com formatos digitais é que é bastante fácil chegar ao mundo inteiro, mesmo não saindo do país”, explica.
E é difícil ser desenhadora de padrões em Portugal? Sim, mas… E explica a sua vivência nesta profissão: “Iniciei este projeto há dois anos e desde então que se têm criado novos interesses e apostas na área das Artes e Indústrias Criativas, e, em Lisboa, tem-se notado bastante nos últimos anos: com a criação de bolsas e financiamentos, abertura de novos espaços, investimentos, eventos e muito mais. Nós agradecemos pelas oportunidades, mas é preciso que os portugueses, que constituem e mantêm empresas e participam no crescimento do país acreditem e valorizem ainda mais o trabalho artístico que existe em Portugal, que acreditem no valor que isso acrescenta aos seus negócios”, afirma. “E que apresentem valores que sejam justos para os profissionais de design”, acrescenta. l

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