Sonae atinge 62 milhões de lucros no primeiro semestre do ano

Os resultados líquidos comparam com os 76 milhões de euros de prejuízos de igual período do ano passado. O volume de negócios consolidado cresceu 5,5% para 3.222 milhões de euros.

O grupo Sonae apresentou resultados lucros positivos de 62 milhões de euros no final do primeiro semestre do ano em curso, que comparam com os prejuízos de 76 milhões com que havia fechado o mesmo período do ano passado. Por outro lado, a rentabilidade operacional melhorou, com o EBITDA subjacente a aumentar 11,4% para os 246 milhões de euros.

O volume de negócios atingiu os 3.222 milhões de euros, mais 5,5% que os três mil milhões do mesmo período do ano passado. As vendas online cresceram 33%. O investimento aumentou 65% para 186 milhões, “refletindo aquisições e expansão orgânica”, refere o grupo em comunicado à CMVM.

“Sonae prossegue gestão ativa do portefólio, com reforço e posição na Sonae Sierra para 80%, acordo para alienação da Maxmat e da Bizdirect, e surgimento do 3º unicórnio do portefólio da Sonae IM com a Feedzai”

Comentando os resultados, Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, afirmou que “o segundo trimestre de 2021 foi globalmente um período positivo e encorajador para a Sonae, apesar dos desafios que continuamos a enfrentar em cada um dos nossos negócios. Após um período de fortes limitações às nossas operações, o abrandamento das restrições no início do segundo trimestre permitiu que os nossos negócios assistissem a bons sinais de recuperação em diferentes geografias e comprovassem a competitividade e robustez das suas propostas de valor”.

Mesmo assim, e segundo o comunicado “durante semestre, a Sonae enfrentou um contexto desafiante em Portugal, nomeadamente: um período de confinamento desde meados de janeiro até meados de abril, em que as lojas com produtos não essenciais foram novamente encerradas; e um período pós-confinamento, a partir de meados de abril, com um gradual abrandamento das restrições e com a reabertura integral de todas as lojas, incluindo centros comerciais, em maio, ainda que com limites de capacidade e horário de funcionamento”.

Neste contexto, o volume de negócios consolidado aumentou “suportado pelos sólidos desempenhos da Sonae MC e da Worten, que continuaram a conquistar quota de mercado apesar do período comparável desafiante, e pelos sinais encorajadores da Sonae Fashion e da Sonae Sierra no segundo trimestre, período em que o grupo registou um crescimento de 5,1% para mais de 1,6 mil milhões”.

O EBITDA subjacente aumentou 11,4% para 246 milhões, sendo que “no segundo trimestre a Sonae conseguiu apresentar uma melhoria de 9,9% em termos homólogos, para 136 milhões de euros, devido sobretudo à recuperação da Sonae Fashion e à evolução da Worten em Espanha”.

O resultado direto “melhorou significativamente, atingindo 54 milhões no semestre e 55 milhões no segundo trimestre, devido ao desempenho operacional de 2021 e ao elevado nível de provisões e custos extraordinários relacionados com a Covid-19”. Assim, o resultado líquido da Sonae atribuível a acionistas “«reflete o forte desempenho operacional, com crescimento de vendas e rentabilidade, bem como o sucesso da estratégia de gestão de portefólio.

Durante o semestre, a Sonae prosseguiu a sua política ativa de gestão de portefólio. A Worten anunciou o seu plano de otimização da operação espanhola; a Sonae aumentou a sua participação na Sonae Sierra para 80%, após a compra adicional de 10% à Grosvenor; a Sonae FS e o Banco CTT assinaram um acordo de parceria para os próximos cinco anos para a operação do cartão Universo; a Sonae IM acordou a venda da Bizdirect por 12 M€; e a Sonae MC acordou a venda dos seus 50% na Maxmat por 65 M€, refere o coumincado.

A Sonae IM viu uma terceira empresa do seu portefólio atingir o estatuto de unicórnio no início do 2021 – Feedzai – e, no segundo trimestre, vendeu parte da sua participação na Arctic Wolf por um montante de 36,4 milhões (encaixe bruto), com uma mais-valia de 12,3 milhões de euros.

Por negócio, a Sonae MC continuou a reforçar a sua liderança de mercado com um aumento da quota de mercado, tendo o volume de negócios crescido 5,4% para 2,5 mil milhões. Em termos de rentabilidade, o EBITDA subjacente no semestre melhorou 7,3% face ao homólogo, para 235 milhões de euros, representando uma margem de 9,4%.

A Worten aumentou 7,5% nas vendas, para 518 milhões, com um LfL de mais 14,4%. O desempenho de vendas beneficiou do crescimento do mercado de eletrónica, com a Worten a superá-lo e a reforçar a sua quota de mercado, consolidando a sua posição de liderança incontestável. Este crescimento das vendas e o processo de reestruturação em Espanha contribuíram para uma melhoria do EBITDA subjacente, que atingiu 31 milhões.

Numa base contabilística proporcional, a Sonae Sierra registou um volume de negócios de 66 milhões e um resultado direto positivo de 10,8 milhões.

A Sonae Fashion registou um volume de negócios total de 74 milhões de euros, mais 41,5% em termos homólogos, “impulsionado por todas as marcas e pelas operações online e offline”. E conseguiu apresentar uma melhoria do EBITDA subjacente, que atingiu 5,4 milhões no semestre.

Para a Sonae FS, o princípio do segundo trimestre ficou marcado pelo início da parceria com o Banco CTT. Já o volume de negócios da Sonae IM aumentou 11% para 28,7 milhões, beneficiando do desempenho do portefólio de cibersegurança, e o EBITDA subjacente melhorou em comparação com o ano passado. Na NOS, o volume de negócios ascendeu a 678 milhões, aumentando 1,8% em termos homólogos.

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