Steve Bannon prepara emissão de criptomoeda para financiar populismo na Europa

O ex-conselheiro de Donald Trump na Casa Branca, anunciou que quer lançar a sua própria criptomoeda para financiar atividades populistas globais. Em vista estão as eleições europeias de maio, onde a extrema-direita quer chegar aos 30%.

A vida de Steve Bannon dava um filme – foi o grande estratega da campanha eleitoral de Donald Trump e esteve por trás de todas as principais decisões da Casa Branca até ter saído repentinamente, há cerca de dez meses. Mas essa foi a sua vida anterior – a nova dava outro filme: desde que saiu da Casa Branca, Bannon tem viajado pelo mundo para espalhar a sua sabedoria pelos palcos do populismo mundial.

Esteve na Europa e não deixou de promover o populismo de extrema-direita por todos os lados por onde andou. E agora decidiu dar mais um passo em frente: quer unir os movimentos populistas da Europa e para isso está a preparar uma emissão de criptomoeda (uma Initial Coin Offering, ICO) que possa financiar essa aliança.

Em maio passado, o ex-braço direito do presidente americano foi a Bruxelas para se encontrar com uma organização política chamada The Movement, cuja intenção é minar as fundações da União Europeia, estabelecendo para isso ligações com outros movimentos-irmãos.

A italiana Liga, do ministro do Interior Matteo Salvini, o Partido Conservador do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban e a Frente Nacional, de Marine Le Pen, fazem parte do agregado nacionalista, que quer juntar 30 % dos lugares no Parlamento Europeu nas eleições de maio de 2019.

Raheem Kassam, ex-assessor de Nigel Farage (antigo dirigente do UKIP, o partido britânico de extrema-direita e figura emblemática da Brexit), também envolvido, explicou que “o movimento será a sede do populismo e do nacionalismo na Europa, vamos focar a nossa atenção em indivíduos e grupos de apoio interessados ​​em questões de soberania, controlo de fronteiras e emprego, entre outras coisas”.

A meio de julho, Steve Bannon revelou, em entrevista no canal de televisão norte-americano CNBC, que está a trabalhar para criar uma criptomoeda alternativa ao sistema financeiro (nenhuma autoridade bancária ou ministerial tem controlo sobre as emissões), com a qual possa financiar as atividades do The Movement.

De algum modo, o uso das criptomoedas acaba por tudo a ver com o movimento: um dos principais riscos das moedas alternativas é precisamente o enfraquecimento dos bancos estatais, uma vez que o sistema ultrapassa (pelo menos para já) a própria supervisão. Aliás, todas as autoridades de supervisão na Europa têm vindo a alertar para os riscos tanto do lançamento de ICO, como de participação nas operações por parte de empresas e de pessoas singulares.

O próprio sistema financeiro tradicional tem estado contra as criptomoedas, uma vez que estas acabam por ser um instrumento concorrente às formas tradicionais de financiamento – o que potencialmente pode retirar grandes somas aos cofres dos bancos tradicionais e sustentar uma verdadeira revolução do negócio bancário.

Neste quadro, o uso de uma ICO por parte de um grupo que quer acabar com os fundamentos da sociedade europeia – onde o sistema financeiro tem uma posição absolutamente preponderante – faz todo o sentido ‘ideológico’.

“As criptomoeda são uma forma perturbadora de populismo porque assumem um controlo que é das autoridades centrais”, disse Bannon à CNBC. E continuou: “para mim, é óbvio que, a menos que você controle a sua própria moeda, todos esses movimentos políticos estão sob a alçada dos que controlam a moeda. O controlo da moeda é o controlo tudo”.

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