Taça de Portugal: quando os ‘pequenos’ ‘atraiçoam’ o ‘factor-casa’

Formato da prova beneficia os chamados ‘grandes’, embora em jogos a eliminar as probabilidades de haver ‘tomba-gigantes’ possam suceder. Contudo, os emblemas mais pequenos, cientes das dificuldades, acabam por dar mais relevância ao lado financeiro.

A terceira pré-eliminatória da Taça de Portugal já conta com equipas da Primeira Liga e uma das regras do sorteio é de que 18 os clubes do principal escalão não possam jogar entre si, possibilitando, contudo, que defrontem emblemas de escalões inferiores, até porque também por regra estão obrigados a jogar fora de casa.

Regras que, na opinião do vice-diretor da Faculdade de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Europeia, Luís Vilar, fazem “com que diminua o potencial de surpresa de uma equipa pequena vir a disputar uma final da Taça de Portugal. Sou totalmente contra este constrangimento”, refere.

Esta é a única prova que Luís Vilar considera que dá a possibilidade aos clubes mais pequenos “de ter um protagonismo e uma atenção mediática completamente diferente, porque é a única forma de equipas do campeonato de Portugal poderem receber um Porto, Benfica ou Sporting. Esta competição tem de ser utilizada para animar as bases de futebol e fazer o papel social que a primeira liga não faz”, afirma.

O facto de os clubes de divisões inferiores poderem fazer os seus encontros em casa é, para o vice-diretor da Faculdade de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Europeia, “uma medida de contra negociação de quem organiza a prova. Se por um lado constrange o sorteio para que as equipas da primeira liga tenham maior probabilidade de se manterem em prova, por outro dá uma benesse aos clubes mais pequenos de os receberem em casa e de fazerem alguma receita”, explica.

Contudo, existem algumas equipas que ao abdicarem de jogar no seu estádio, preferindo disputar o encontro em campos de maiores dimensões, acabam por dar mais importância ao aspeto financeiro, do que à vertente desportiva da competição.

Uma escolha que, para Luís Vilar, se explica porque esses clubes “numa fase inicial não acreditam que poderão chegar a uma final. As dificuldades são tantas e o sorteio ainda põe mais dificuldades ao ser condicionado, que acabam por abdicar da vertente desportiva em função da financeira”, sendo que existem exemplos contrários, mas cuja escolha acaba por não correr da melhor forma.

“O Desportivo das Aves no ano passado ganha a Taça de Portugal e a vitória dar-lhe-ia acesso às competições europeias. O problema é que para aceder às competições europeias é preciso fazer um pré-registo na UEFA até final de novembro. Nessa altura ainda não existe a capacidade de perceber com algum grau de fiabilidade a probabilidade de vencer a competição. O Desportivo das Aves percebeu que era pequeno e decidiu não se inscrever e vai-se arrepender redondamente porque abdicou de qualquer receita das competições europeias”, salienta Luís Vilar.

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