Tensão comercial penaliza Europa e arrasta bolsa nacional. Mota-Engil lidera perdas

A nível nacional, o principal índice do mercado, PSI 20, desvaloriza 0,30%, para 5.246,09 pontos, pressionado pelas desvalorizações da Mota-Engil e do retalho.

A bolsa portuguesa negocia em terreno negativo, no início da manhã desta sexta-feira, dia 7 de setembro. As praças europeias seguem maioritariamente em queda, pressionadas pelas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. A nível nacional, o principal índice do mercado, PSI 20, desvaloriza 0,30%, para 5.246,09 pontos, pressionado pelas desvalorizações da Mota-Engil e do retalho.

A Mota-Engil lideras as perdas, ao depreciar 2,95% para 2,135 euros. A acompanhar a tendência estão a retalhista Sonae, que cai 1,11% para 0,891 euros, e a Jerónimo Martins, que recua 0,20% para 12,405 euros. A destacar-se em terreno negativo estão também os CTT, que desvalorizam 1,43% para 3,176 euros, e a Sonae Capital, que resvala 0,99% para 0,797 euros.

A Pharol está também a perder 0,21% para 0,189 euros, no dia em que os acionistas da empresa vão votar o aumento de capital da empresa de telecomunicações brasileira Oi, da qual é acionista maioritária, no valor de 28,6 milhões de euros. Os analistas do BPI Online lembram que, recentemente, “a Pharol tem sido um dos piores performers da bolsa nacional (esta semana as ações da empresa já se desvalorizaram mais de 8%)”, com os investidores a reagirem à decisão da gestora de participações sobre o aumento de capital.

“O processo de reestruturação da Oi assenta, para além do aumento de capital, na emissão de novas ações para os obrigacionistas que optassem por converter os seus créditos em capital da Oi, sendo que o preço mínimo da emissão destas novas ações foi estabelecido em 7 reais”, indicam os analistas do BPI Online. “As ações da Pharol têm sido igualmente penalizadas pela fraqueza do real que diminuiu o valor em euros da sua participação na Oi, que constitui o principal ativo da empresa”, acrescentam.

No ‘vermelho’ estão ainda o BCP (-0,44%), a Corticeira Amorim (-0,54%), a EDP (-0,18%), a Galp Energia (-0,49%), a REN (-0,25%), a Semapa (-0,23%) e a Navigator (-0,10%).

A contrabalançar as perdas estão a EDP Renováveis (0,24%), a Altri (0,65%), a NOS (0,16%), a Ibersol (1,75%) e a F. Ramada (0,53%).

As restantes bolsas europeias seguem em terreno negativo. O índice alemão DAX cai 0,40%, o francês CAC 40 desvaloriza 0,25%, o italiano FTSE MIB recua 0,36%, o espanhol IBEX 35 deprecia 0,42%, o holandês AEX resvala 0,68% e o britânico FTSE 100 perde 0,51%.

“Do lado macroeconómico, o mercado estará dependente dos dados de emprego nos EUA, com especial destaque para os salários”, indica a equipa de análise do Bankinter. “As estimativas apontam para a criação de 191 mil novos empregos em agosto, em linha com a média dos últimos 12 meses (199 mil), que por sua vez levaria a uma queda da taxa de desemprego, em 1 décima, para 3,8%. Em relação aos salários, um aumento superior a +2,7%/+2,8% poderá ser interpretado como “sobreaquecimento” do mercado de trabalho, o que poderá levar a Fed a acelerar o ritmo de subida das taxas”.

Os analistas do Bankinter notam ainda que guerra comercial vai estar também no centro das atenções dos investidores, após ter expirado o prazo de consultas para a imposição de novas tarifas por parte dos EUA às importações chinesas. “Neste sentido, é expectável que prevaleça um clima de prudência nas bolsas, perante: (i) a escalada das tensões comerciais, (ii) a instabilidade nos países emergentes, (iii) o ataque de ontem à noite a Bolsonaro (candidato do partido social liberal no Brasil) e (iv) o nervosismo em relação às eleições na Suécia este domingo, como indicador da tendência do populismo na Europa”, indicam.

No setor petrolífero, a cotação do barril de Brent, que serve de referência para a Europa, ganha 0,04% para 76,53 euros, enquanto a cotação do crude WTI soma 0,12%, para 67,85 dólares por barril.

No mercado cambial, o euro valoriza 0,11% para 1,163 dólares e a libra aprecia 0,32%, para 1,297 euros.

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