Terceiro maior centro fotovoltaico de Cabo Verde já foi inaugurado

Segundo o Águas de Ponta Preta, o investimento foi de cerca de 2,5 milhões de euros. O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, disse que esta construção vai ao encontro a aposta do governo cabo-verdiano na transição energética com vista a produção de uma energia mais limpa e com impacto na faturação energética.

A empresa Águas de Ponta Preta (APP), com sede no Sal, inaugurou, esta segunda-feira, a nova Central Solar Fotovoltaica de Ponta Preta. A cerimónia contou com a presença do vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia. Instalada numa área de um hectare e 200 metros e com uma capacidade instalada total de 1.318 quilowatts pico, a Central Solar Fotovoltaica de Ponta Preta é o terceiro maior parque fotovoltaico do país.

Segundo o gerente da APP, Damià Pujol, foi um investimento na ordem de 260.000.000 escudos cabo-verdianos (cerca de 2,5 milhões de euros), realizado com o intuito de a empresa alinhar-se com o processo nacional de transição energética. Trata-se de uma“forte aposta na diminuição da dependência energética de combustíveis fósseis e melhorar a sustentabilidade da empresa”, disse.

“O centro que hoje inauguramos é muito importante para nós. Vai produzir 2 milhões de quilowatts/hora de energia, por ano e vai-nos poupar 500 toneladas de combustíveis  por ano” refere Damià Pujol  que ainda acrescenta que a  abertura da Central Solar Fotovoltaica de Ponta Preta representa, em termos de impacto ambiental, uma “diminuição de  emissão de 1.768 toneladas de dióxidos de carbono (CO2) para atmosfera”.

A energia produzida pela central solar será utilizada na rede de distribuição para a organização da zona de Ponta Preta, sendo 20% para a produção e tratamento de água e na lavandaria da APP e os restantes vendidos aos hotéis da ilha, indicou Damià Pujol.

Já Olava Correia reconheceu que o investimento da APP numa central fotovoltaica desta dimensão vai ao encontro a aposta do governo de Cabo Verde na transição energética com vista a produção de uma energia mais limpa e com impacto na faturação energética.

“Este investimento é um exemplo claro de como isto é possível, mas o importante é continuarmos a investir nas renováveis, mas com base no investimento privado e não público. Ao Estado cabe criar oportunidades para deixar os privados investirem e fazerem boa gestão, neste caso, com impactos ambientais – e na grande marca de Cabo Verde que é ser um país altamente responsável na gestão dos recursos naturais”, assegurou o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças cabo-verdiano.

Dentro da área da Central Solar Fotovoltaica de Ponta Preta, a APP instalou um posto para abastecimento de carros elétricos. A empresa faz parte do consórcio criado pela cooperação luxemburguesa, alemã e o Centro de Energias Renováveis e Manutenção Industrial (CERMI) para aquisição dos sete primeiros carros elétricos que deverão chegar a Cabo Verde em janeiro. “Se tudo correr bem vamos massificar em 2020 a utilização de carros elétricos” referiu o governante, à margem da inauguração.

Para APP, a abertura do novo parque solar representa mais do que uma obra tecnológica, mas também uma plataforma de conhecimento e de transferência tecnológica, uma vez que o projeto permitiu a especializado de técnicos nacionais e a criação de alianças empresariais no domínio das energias Renováveis, nomeadamente com a CERMI, MATEC, SGL e a empresa espanhola TFM.

“Neste processo de desenvolvimento do projeto destacamos a parceria entre APP e a CERMI, uma iniciativa enquadrada no âmbito de um acordo de cooperação entre as partes que instituiu um programa de estágio destinado a 8 formandos do CERMI no nosso parque, durante o processo de montagem dos equipamentos, por um período de três meses”, apontou Damià Pujol.

A APP é uma sociedade comercial de Direito cabo-verdiano, criada em 2000 e fruto de um compromisso da empresa espanhol CABOCAN e o do Governo de Cabo Verde para urbanização da Ponta Preta como zona de desenvolvimento turístico, que acolhe metade dos empreendimentos hoteleiros da Ilha do Sal.

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“Vamos ter em conta as propostas apresentadas, as temáticas tratadas, o trabalho já feito pelas organizações que vão apresentar estes projetos, a viabilidade e a sustentabilidade desses projetos, uma vez terminado o potencial financiamento”, disse Sofia Moreira de Sousa, embaixadora da União Europeia em Cabo Verde.

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