Theresa May escolhe bastião do Brexit para salvar saída da UE

Na véspera da votação no Parlamento, a primeira-ministra discursa em Stoke-on-Trent, onde o eleitorado mais defendeu o Brexit.

REUTERS/Neil Hall

Num discurso que está a ser proferido numa fábrica de Stoke-on-Trent, localidade situada 217 quilómetros a Norte de Londres onde o eleitorado mais defendeu o Brexit na votação de 23 de junho de 2016, a primeira-ministra britânica prepara-se para alertar os deputados que têm “o dever de implementar o resultado do referendo” no qual 52% dos eleitores votarem a favor.

“E se nos encontrássemos numa situação em que o Parlamento tentasse tirar o Reino Unido da União Europeia, contra o voto pela permanência? A confiança dos cidadãos no processo democrático e nos seus políticos iriam sofrer danos catastróficos”, sublinha Theresa May, num discurso antecipado pelo seu gabinete a vários órgãos de informação, como a Bloomberg.

O fim-de-semana passado serviu para que os dois lados britânicos do Brexit – o que apoia o acordo firmado pela primeira-ministra e o que prefere uma saída sem (aquele) acordo – dramatizarem a votação que ocorrerá amanhã na Câmara dos Comuns e Theresa May não se coibiu de dizer que seria uma “quebra de confiança catastrófica e imperdoável” se os deputados conservadores votarem contra as suas propostas na terça-feira.

Theresa May escreveu um artigo para o jornal ‘Sunday Express’ onde afirmou que a Câmara dos Comuns enfrenta a “maior e mais importante decisão da nossa geração“ e recordou que “o povo britânico votou para sair da União. Nós não podemos – e não devemos – esquecer isso”.

A primeira-ministra recorda que uma saída sem acordo seria a antítese do que os britânicos estão à espera que se passe: “fazer isso seria uma violação catastrófica e imperdoável da confiança na nossa democracia. Portanto, a minha mensagem ao parlamento neste fim-de-semana é simples: é hora de esquecer os jogos e fazer o que está certo para o nosso país.

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