Theresa May não tem “medo de deixar a União Europeia sem acordo”

Numa intervenção que pretendeu ser apaziguadora da reunião dos conservadores britânicos, a primeira-ministra anunciou também o fim da austeridade, lançando pontes para o seu futuro político.

Reuters

No seu discurso na convenção do Partido Conservador britânico, a primeira-ministra e líder do partido disse que “a Grã-Bretanha não tem medo de deixar a União Europeia [UE] sem acordo se for necessário” e reafirmou que “o governo deve honrar o resultado do referendo”.

Mas não se esqueceu de repetir que os britânicos devem “manter um bom relacionamento com a UE” e que “ninguém mais que eu quer um acordo”, mesmo não estando “preparada para qualquer acordo”.

No caso de um não-acordo – pelo que recebeu grande ovação da sala – “Seria difícil no começo, embora eventualmente o Reino Unido prosperasse”. E parte do resto do seu discurso foi gasto nessa prosperidade.

Numa toada claramente eleitoralista, Theresa May como que anunciou o fim da austeridade que marcou o país nos últimos dez anos: “o fim da austeridade está à vista e os gastos com serviços públicos vão subir”, “após uma década de austeridade, as pessoas precisam saber que o seu sacrifício valeu a pena”.

Mais especificamente, a primeira-ministra anunciou a abolição do limite sobre os pedidos de empréstimos para construir casas, uma nova política energética e um investimento assinalável nos caminhos-de-ferro. “Resolver a crise da habitação é o maior desafio interno que o país enfrenta”, depois de passar quase cinco décadas sem fazer investimentos necessários nesse capítulo.

Theresa May conseguiu assim alguns pontos com a sua postura em relação ao Brexit – mas a plateia, incendiada ontem pelo discurso do ex-ministro Boris Johnson – não pareceu ter respondido como a líder do partido estava à espera.

De qualquer modo, o fim da sua intervenção – mais ‘caseiro’ – dá nota de que Theresa May, por muito que esteja acossada pelos seus pares partidários, não abrirá mão com facilidade do partido que controla desde que David Cameron abandonou o governo, precisamente na sequência do referendo sobre o Brexit.

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