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TIC regista volume de negócios de 16 mil milhões de euros, mas IA reduz emprego

As grandes empresas tecnológicas dominam e os distritos de Lisboa e Porto afirmam-se como os principais polos do ecossistema digital. O setor empregava 120 mil pessoas em 2024, o que representa uma redução de 34% face ao ano anterior.
10 Novembro 2025, 07h00

As Tecnologias de Informação e Comunicação estão a reforçar o seu peso na economia portuguesa, alcançando em 2024 um volume de negócios de 16 mil milhões de euros, mais 1,6% do que no ano anterior. Os dados constam da nova edição do Diretório Global das TIC, uma iniciativa da APDC que mapeia e caracteriza as empresas do setor em Portugal. “O dado da redução de 34% no emprego, identificada pelo estudo, deve ser lido com atenção: não significa retração, mas sim uma reconfiguração do tecido tecnológico, marcada pela automação, pela especialização e pela reorganização das cadeias de valor. É um sinal de maturidade, mas também um alerta: Portugal precisa de investir fortemente em requalificação e reconversão de talento. Sem isso, a transição digital será incompleta. Programas como o Upskill, onde a APDC tem sido um ator ativo, são essenciais para garantir que o país não perde talento, mas sim que aposta na sua transformação”, diz Sandra Fazenda Almeida, diretora executiva da APDC, ao Jornal Económico.

A análise mostra que o mercado das TIC continua concentrado nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que reúnem mais de três quartos das empresas da amostra. O distrito de Lisboa lidera em volume de negócios, com 12,16 mil milhões de euros, seguido do Porto, com 2,55 mil milhões, traduzindo crescimentos de 2,77% e 7,9%, respetivamente. “O país precisa de uma estratégia que estimule novas centralidades tecnológicas, porque a inovação pode e deve acontecer em todo o território. Hoje já vemos sinais encorajadores no Fundão, em Aveiro ou em Braga, que mostram como o digital pode ser um poderoso instrumento de coesão territorial”, acrescenta a responsável.

Embora as PME representem cerca de 70% das empresas, a faturação e o emprego continuam concentrados nas grandes organizações, responsáveis por 78% do volume de negócios e 81 mil trabalhadores. As PME geram pouco mais de 20% da faturação e empregam 39 mil pessoas, enquanto as microempresas representam 0,2% do total e cerca de mil colaboradores. Em média, as grandes empresas empregam 1.175 pessoas, contra 158 nas médias, 33 nas pequenas e 4 nas microempresas. “Para um setor mais equilibrado, precisamos de mais colaboração entre grandes e pequenas empresas, mais projetos em consórcio, mais inovação aberta e mecanismos que ajudem as PME a crescer e a competir”, sublinha Sandra Fazenda Almeida.

O setor das TIC empregava 120 mil pessoas em 2024. As atividades de consultoria em informática mantêm-se como o principal empregador, com 18,5% dos postos de trabalho, seguidas pelos centros de contacto (12,9%) e pela programação informática (12%). “Portugal continua a ter uma economia digital muito centrada em serviços, com a consultoria informática a manter-se como principal empregadora. Mas o salto competitivo que o país precisa de dar exige uma aposta clara na criação de propriedade intelectual, no desenvolvimento de soluções tecnológicas próprias e no reforço da capacidade de exportar talento e tecnologia portuguesa”, afirma a diretora executiva da APDC.

Em volume de negócios, o top três é liderado pelas telecomunicações por cabo, consultoria informática e distribuição de eletricidade. Juntas, representam mais de um terço da faturação total. “O recente anúncio da Carteira Digital da Empresa, apresentada pelo ministro Gonçalo Matias, que se prevê arrancar em versão piloto já em janeiro de 2026, é um sinal muito positivo. Não só coloca Portugal entre os primeiros países europeus a avançar com uma solução deste tipo, como demonstra que podemos ser líderes na aplicação prática da inovação digital, criando serviços mais simples, mais inteligentes e mais competitivos. É um exemplo claro do tipo de modernização da Administração Pública que a APDC tem vindo a defender”, diz.


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