Tornar o mundo melhor: missão do Rock in Rio cumpre-se há 33 anos

No JE editors Sunset Talks, Roberta Medina falou da história de um dos maiores festivais do mundo que, afinal, é a da sua família.

Já lá vão 33 anos desde o nascimento do Rock in Rio (RIR). Os anos tenros do festival, cruzam-se com a infância de Roberta Medina. Afinal, foi a visão extraordinária do pai, Roberto Medina, que fez nascer um evento destinado a promover a cidade maravilhosa e dar voz à juventude brasileira.

“O Rock in Rio nasce num momento conturbado no Brasil. A gente estava saindo da ditadura militar, lutando por liberdade de expressão e há muito que o meu pai queria sair do país. E por uma provocação da minha mãe que disse: você não pode ir embora sem fazer algo pelo seu país. Ele então acorda com o Rock in Rio desenhado. Um evento que nasce com o propósito de fazer o Rio de Janeiro um lugar melhor e dar voz a toda uma geração, utilizando a música como plataforma de expressão. Quando conseguimos silenciar mais de 500 canais de televisão e 3000 canais de rádio por um momento para falar de um mundo melhor, esse é o meu Rock in Rio, que me convence até hoje”.

Mas nem todas as lembranças são felizes. Roberta recorda as duas primeiras edições e o peso que tiveram na família. Sim, tinham conseguido mudar o mercado do entretenimento e elevar a marca, mas a estrutura política da época decidiu reaver o terreno onde, supostamente, o festival iria continuar, causando prejuízo económico para a organização. Os anos que se seguiram foram de equilíbrio de contas e de renovação da esperança.

Houve um hiato de 10 anos e, em 2001, na terceira edição do Rock in Rio, Roberta ficou rendida a esta história de amor. Fez-se magia. Começava um ciclo favorável que se mantém até hoje. O Rock in Rio é uma marca global e um dos maiores festivais de música do planeta.

E Roberta passou a liderar, assumindo o cargo de Vice-presidente executiva do Rock in Rio e tornando-se um dos rostos mais conhecidos da marca.

O trabalho transformou a sua vida em muitos aspectos, até na adopção de uma cultura que até 2004 quase desconhecia.

Foi nesse ano que, para organizar o primeiro RIR fora do Brasil, vem para Portugal por largos períodos de tempo. Uma mudança que diz ter sido fácil, pois havia um objectivo muito claro. Os estereótipos que tinha do país foram quebrados e acabou por se apaixonar por Portugal.

“Escolhi ficar. A maior riqueza desse país é que as pessoas são do bem. Os brasileiros também são do bem, mas vivem numa estrutura social que provoca disputa e desequilíbrio. Aqui as pessoas só querem ajudar e não atrapalhar. Isso tem um valor imenso.”

Lisboa passou a ser a casa de Roberta. Entretanto a família cresceu e quase 15 anos depois de ter atravessado o atlântico, continua por Lisboa e agora com família portuguesa.

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