Transportes, restaurantes e hotéis deram maior contributo positivo à subida da inflação em setembro

Os dados do INE mostram que, por classes de despesa e face ao igual período do ano passado, os maiores aumentos da taxa de inflação registaram-se nos restaurantes e hotéis, onde os preços subiram de 1,1% para 3,3%, e nos transportes, cujos preços registaram um aumento de 4% para 4,6%.

O Instituto Nacional de Estatística revelou esta quinta-feira que a taxa de inflação em Portugal registou uma variação homóloga de 1,4% em setembro, tal como tinha previsto numa estimativa rápida apresentada a 28 de outubro. O Índice de Preços no Consumidor (IPC) ficou acima da variação média dos últimos 12 meses (1,2%), tendo os transportes, restaurantes e hotéis dado o principal contributo para este aumento.

Os dados do INE mostram que, por classes de despesa e face ao igual período do ano passado, os maiores aumentos da taxa de inflação registaram-se nos restaurantes e hotéis, onde os preços subiram de 1,1% para 3,3%, e nos transportes, cujos preços registaram um aumento de 4% para 4,6%. Em sentido oposto, a classe do vestuário e calçado foram as que mais penalizaram o índice. No mês de setembro, a taxa de inflação caiu para 3,6%, menos 1,1 pontos percentuais do que no mês anterior.

Excluindo os produtos alimentares não transformados e energéticos – mais expostos a “choques” temporários –, a taxa de inflação apresentou uma variação homóloga de 0,9%. O valor corresponde a um aumento de 0,3 pontos percentuais em comparação com o mês anterior.

No que toca às rendas de habitação, registou-se um aumento homólogo de 2,3% em setembro, o que corresponde a um aumento de 0,1 pontos percentuais face ao mês anterior. O INE indica que “todas as regiões apresentaram variações homólogas positivas das rendas de habitação, tendo Lisboa registado o aumento mais intenso (3,0%)”.

 

Vestuário e calçado com maior contributo positivo mensal 

Em termos mensais, registou-se uma variação de 1,1% na taxa de inflação. Excluindo os produtos alimentares não transformados e energéticos, a variação do IPC foi de 1,4%. A classe que mais contribuiu de forma positiva para este aumento foi a do vestuário e calçado, ao registar uma variação mensal de 18,8%, em consequência da entrada das novas coleções de vestuário no mercado.

São de realçar as contribuições positivas do vestuário de mulher (com um aumento de 0,43%), o vestuário de homem (0,30%), os hotéis, motéis, pousadas e serviços de alojamento similares (0,22%), o vestuário de criança e de bebé (0,21%) e o calçado de mulher (0,08%).

A contrariar a subida da taxa de inflação esteve a classe do lazer, recreação e cultura, que registou uma queda mensal de 1,7%. Os voos internacionais foram os que registaram a maior queda (-0,14%), seguidos dos voos domésticos (-0,07%) e as férias organizadas fora do território nacional (-0,05%).

 

Portugal tem a terceira inflação mais baixa da zona euro

Em comparação com os outros Estados-membros da zona euro, a taxa de inflação foi inferior à dos restantes países que aderiram à moeda única. O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), que é o indicador mais apropriado para as comparações com os diferentes países da União Europeia (UE), subiu em setembro para 1,8%, mais 0,5 pontos percentuais do que no mês anterior.

A taxa de variação homóloga da zona euro foi de 2%, em linha com o mandato do Banco Central Europeu (BCE), que tem como meta, na sua política de estímulos financeiros, uma inflação pouco baixo de 2%. Dos 19 países que integram a zona euro, Portugal foi o país com a terceira taxa de inflação mais baixa, apenas ultrapassado pela Irlanda (0,9%) e pela Grécia (0,9%).

A Estónia foi o país que registou a taxa de inflação mais alta da zona euro (3,5%), seguindo-se a Eslováquia (2,9%) e a Letónia (2,8%).

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Taxa de inflação acelera para 1,4% em setembro

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