Esta terça-feira, os Estados Unidos vão a votos para escolher novos membros para as duas casas do Congresso: a Câmara dos Representantes e o Senado. Em disputa estão 470 lugares. Destes, 435 dizem respeito à totalidade de lugares da Câmara dos Representantes. Já os restantes 35 fazem parte dos 100 lugares que constituem o Senado e que vão ser alterados este ano.
Neste momento, os republicanos controlam as duas câmaras do Congresso. Na Câmara dos Representantes (câmara baixa) têm 235 assentos ocupados por republicanos contra 193 preenchidos por democratas. Já no Senado (câmara alta), os republicanos têm 51 senadores contra 47 senadores democratas e dois independentes.
Este ano, vão a votos 435 cadeiras da Câmara dos Representantes. Dessas, 147 estão garantidas pelos republicanos e 182 pelos democratas. Para obter a maioria e tomarem a Câmara dos Representantes, os democratas têm de conquistar pelo menos 23 assentos, que estão atualmente nas mãos dos republicanos e manter aqueles que têm agora.
Já no Senado, os democratas precisam de mais dois mandatos para assumir o controlo da casa, mas não será tarefa fácil, tendo em conta que os lugares que vão ser renovados são sobretudo democratas. As sondagens apontam para a possibilidade de o Partido Democrata recuperar o controlo da Câmara dos Representantes, mas manter-se em minoria no Senado. Mas há outros cenários possíveis.
Câmara dos Representantes democrata e Senado republicano:
Este é o cenário mais provável, de acordo com os analistas. A “onda azul” de que falam os analistas pode varrer as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e roubar a maioria aos republicanos. Caso isso aconteça, os republicanos terão mais dificuldade em fazer aprovar medidas. Tal pode significar também que propostas como o fim do ObamaCare, a construção do muro na fronteira com o México e novos cortes nos impostos para as grandes empresas, que foram prometidas por Donald Trump, podem ficar pelo caminho caso os republicanos percam a maioria nesta câmara.
Ao mesmo tempo, os democratas poderão acelerar investigações que estão a ser feitas e que envolvem diretamente o presidente dos Estados Unidos. São elas o caso da ingerência russa nas eleições norte-americanas de 2016 e o escândalo dos pagamentos para silenciar várias mulheres que acusam Donald Trump de ter tido um caso com elas.
Já no Senado, se os republicanos mantiverem a sua maioria, poderá continuar a ser necessária a “reconciliação” com os democratas, tendo em conta que são precisos 60 dos 100 senadores a favor de determinada medida para que esta possa ser aprovada. Já a possibilidade de um impeachment do presidente que possa surgir na Câmara dos Representes fica afastada, pois para isso os democratas precisam de reunir dois terços do Senado a favor da destituição.
Câmara dos Representantes republicana e Senado republicano:
Neste cenário, que as sondagens apontam como pouco provável, manter-se-ia o cenário político que existe atualmente nos Estados Unidos. Embora seja pouco provável, este é um cenário a considerar tendo em conta que a economia norte-americana continua a crescer a um bom ritmo e tal pode ajudar Donald Trump com os eleitores. O Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano cresceu 4,1%, no segundo trimestre deste ano, atingindo valores de 2014 e dando renovada confiança aos investidores.
Neste cenário, os democratas não seriam capazes de impedir as nomeações de Donald Trump para vários cargos públicos, que devem ser renovados nos próximos dois anos. Os republicanos teriam também caminho livre para avançar com novos cortes nos impostos, como Donald Trump prometeu, e fazer insistir na questão do financiamento do muro e no fim do ObamaCare, que não foram aprovadas durante os dois anos de Administração Trump.
Câmara dos Representantes democrata e Senado democrata:
De todos este é o cenário menos provável. Apesar de os democratas conseguirem maioria nas duas câmaras que trabalham juntas para redigir e aprovar leis, continuariam incapazes de implementar nova legislação. Isto porque, no Senado, os republicanos continuariam a ter uma posição relevante e poderiam deixar passar o tempo para fazer com que uma lei não seja aprovada.
A somar a isso está o facto de Donald Trump continuar como presidente e, como tal, poderia recorrer ao seu poder de veto para chumbar as medidas que pudessem resultar do novo Congresso.

